Visita a Milano – 1º Dia – Parte II

A cidade de Milano é de origem celta e foi durante a época romana, uma das maiores cidades do Império, pelo que Diocleciano nomeou-a capital ocidental. Depois de uma curta invasão bárbara, a cidade foi conquistada pelos Francos e o seu rei, Carlos Magno, proclamou-se rei dos lombardos, em 774.
No séc. XII a cidade passou a fazer parte da "Liga Lombarda", tornando-se independente. Um século mais tarde, umas das famílias mais poderosas de seu tempo, os Visconti, tomaram o poder na região. Era sua intensão o controlo de todo o Norte da Itália, mas a aliança Florença-Veneza, tê-los-á impedido. Foi nessa época que se deu o início da construção do "Duomo".
Após a dominação dos Visconti, outra famosa família governou os destinos da cidade, a família Sforza, e o seu membro mais notável foi Ludovico Sforza, o Mouro (1452-1508), que fez de Milano um dos principais centros da Renascença, com a ajuda de artistas como Leonardo da Vinci, Bramante e outros.
A visita ao centro histórico da cidade continuou após a nossa saída do Duomo, para a enorme Piazza del Duomo, onde muitos pombos coabitam com as gentes que a visitam. Naquela tarde a praça encontrava-se cheia de gente, muitos deles turistas e entre eles, um casal de noivos de origem asiática, pousava para as fotografias da praxe.
A Piazza del Duomo está rodeada por construções do séc. XIX e de todas elas, a mais notável e famosa é a Galleria Vittorio Emmanuelle II. Na realidade a enorme galeria é uma rua coberta. Tem uma planta em cruz latina e está ligada com a Piazza del Duomo e com a Piazza della Scala. Um grande arco triunfal acolhe-nos quando entramos na galeria a partir da Piazza del Duomo.
Esta galeria foi construída no final do séc. XIX e o seu autor foi, Giuseppe Mengono, que copiou a ideia das galerias parisienses e londrinas, onde estas galerias estavam na moda.
Dentro da galeria encontram-se muitas lojas e cafés, bem como casas de chá famosas, como a belíssima pastelaria e restaurante “Savini”, que é considerado um dos melhores restaurantes de Milano, servindo segundo os entendidos, o melhor Ossobuco do mundo! Em frente ao Savini, encontra-se o vulgar McDonald's, com uma bonita decoração interior.
No centro da galeria, no bonito mosaico do pavimento, existe a figura de um touro, que segundo a lenda, pisar os seus testículos traz boa sorte e todos os turistas não querendo perder essa oportunidade, pisam-nos sem piedade pelas dores do "animal".
Sai-se pela outra porta que se abre à bela Piazza della Scala e nela observa-se no centro, o monumento a Leonardo da Vinci, que como se sabe foi um dos maiores génios e a própria personificação do Renascimento, como artista, inventor, científico e escritor. Leonardo viveu parte da sua vida em Milano, contratado pela família Sforza, mecenas das artes e cultura.
Mas o que nos trouxe até ali não foi propriamente este monumento, mas o Teatro della Scala, ou simplesmente “La Scala”. Este é provavelmente o mais famoso teatro de ópera do mundo.
O La Scala foi construído sobre o antigo lugar da Igreja de Santa Maria della Scala, tomando o seu nome. Giuseppe Piermarini projetou o teatro, em 1776-1778, onde cabem até 2.000 espectadores, sendo o maior palco de Itália.
Esta casa de ópera oferece ainda uma opção conveniente para os menos abastados: a liggione, que em temporada de ópera normalmente se encontra lotada.
No Teatro della Scala podemos assistir às óperas imortais e ouvir alguns dos mais famosos sopranos e tenores do mundo, não nos podendo esquecer que ali cantou várias vezes Maria Callas.
Muitos grandes compusitores italianos provaram o seu talento no La Scala, entre eles Giuseppe Verdi, Gioachino Rossini, Giacomo Puccini, Vincenzo Bellini, Gaetano Donizetti, Arturo Toscanini, entre outros.
Ao lado do La Scala, fica o "Teatrale Museo della Scala", com uma interessante coleção exclusiva de pinturas, estátuas, figurinos, rascunhos e outros documentos sobre a história do La Scala e a ópera em geral.
Fonte: http://www.vamosparaitalia.com.br / http://www.europe-cities.com / Wikipédia.org

"O silêncio é um amigo que nunca trai." Confúncio


Dou os meus passos com frequência por Lisboa. Caminho naquela confusão citadina que todos conhecem ou de que ouviram falar. E sucedeu que uma vez – no meio da agitação da gente apressada – pousei os olhos numa frase diferente, pintada na chapa de um autocarro. Era de Almada Negreiros. Dizia ele, ali no amarelo do autocarro, que se alimentava do silêncio…
Veio-me logo à cabeça o contraste, pois estava no ambiente ideal para isso. Nós hoje já não nos alimentamos do silêncio.
A verdade é que – muito pelo contrário – fugimos dele.
Ligamos a televisão quando estamos sozinhos em casa, mesmo que não olhemos para ela; levamos música quando prevemos uma viagem ou um espaço vazio no dia; vamos descansar do trabalho para uma discoteca.
É saudável, sem dúvida, o desejo de companhia, o gosto por estarmos ocupados; a música e, até, o bulício. Somos gente do mundo e este é o nosso lugar, do qual tanto gostamos. Precisamos do trabalho, do ruído, da agitação para nos sentirmos vivos.
Porém, faz também parte da nossa natureza o recolhimento. Somos seres racionais: os nossos gestos deviam ser pensados; os nossos sentimentos e as nossas intenções deviam ser analisados; devíamos avaliar o significado dos acontecimentos; era preciso que forjássemos uma opinião acerca de muitas coisas, novas e velhas. Devíamos construir os nossos princípios a partir de dentro, e não com base em meia dúzia de anúncios publicitários, no que ouvimos no café, na novela ou no noticiário, ou no que lemos num livro que uma grande campanha publicitária colocou na moda.
O silêncio permite-nos ter uma vida por dentro, qualquer coisa que flutua por cima da pressa, da confusão das sensações, das notícias de jornal. Qualquer coisa que – para dizer de outra forma – permanece em sossego, como o fundo do mar, muito longe do reboliço superficial das ondas e do vento.
É pelo silêncio que se entra nesse lugar. E era importante que lá entrássemos, porque só assim nos aproximaremos da nossa dimensão humana. Todos devíamos ter um pouco de pastor ou de marinheiro, os clássicos vizinhos dos grandes horizontes e das estrelas.
É dentro de nós que nos podemos conhecer a nós mesmos e conhecer verdadeiramente o que são as coisas e as pessoas e os acontecimentos. Dentro de nós é que havemos de encontrar as sementes do ideal, do sonho nobre, da força para resistir e avançar. E se houver Deus é dentro de nós que O podemos conhecer bem.
Por que fugimos, então, de estarmos a sós connosco mesmos? Por trás de uma série de razões superficiais – não totalmente verdadeiras – como a falta de tempo, de gosto, de hábito ou de paciência, existe um único motivo real: temos muito medo da verdade; receamos pensar naquilo que nos pode complicar a vida.

Paulo Geraldo, in "A Aldeia" (http://aaldeia.net)

Visita a Milano - 1º Dia - Parte I


Deixámos o Lago di Como já de noite, e a chegada a Milano foi tardia. Fomos de imediato para o parque de campismo Village Città di Milano, onde ainda conseguimos entrar antes da meia-noite.
O parque é densamente arborizado e a zona destinada às autocaravanas está bem localizada à entrada do parque, junto do restaurante e de um bom balneário e com pavimento de gelhas de cimento e relva, bem nivelados.
No dia seguinte fomos de autocarro até à cidade e depois de metro ao centro da cidade, para conhecermos algumas das suas principais atrações turísticas. Milano é famosa pela sua riqueza em locais históricos e modernos, como o Duomo, uma das maiores e mais grandiosas catedrais góticas do mundo; La Scala, uma das melhores casas de ópera do mundo; a Galleria Vittorio Emanuele II, uma antiga e glamourosa galeria com arcadas; a galeria de arte Brera, com alguns dos melhores trabalhos artísticos na Europa; a Torre de Pirelli, um exemplo majestoso de 1960, com arquitetura modernista italiana; o San Siro, um enorme e famoso estádio de futebol, ou o Castello Sforzesco, um grande castelo medieval. Além disto tudo, ainda contém uma das pinturas mais famosas do mundo, de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, que se encontra no Convento de Santa Maria delle Grazie.
Milano é o centro cultural, industrial e financeira da Itália. É também a capital da Lombardia (norte da Itália) e um dos principais centros de moda mundial e a segunda maior cidade da Itália. 
Embora na época do Império Romano, esta cidade era a capital romana da metade ocidental do Império, não há muitas lembranças deste período na Milano dos nossos dias. Esta é hoje uma metrópole moderna de passada rápida e uma das cidades mais industrial e comerciais da Europa. Mas definitivamente o que tornou esta cidade famosa, foi sem dúvida, a sua indústria de Design.
Começámos a nossa visita á cidade, na Piazza del Duomo, à frente da Catedral da cidade, um dos maiores templos religiosos do mundo. A construção da catedral começou no séc. XIV, quando Gian Galeazzo Visconti governou a cidade e é hoje uma bela amostra do maravilhoso Gótico Flamejante.
A Catedral está localizada em plena Piazza del Duomo, o centro nevrálgico de Milano. Esta catedral mostra-nos a preferência dos lombardos para a decoração profusa. O Duomo tem mais de 2.000 esculturas e inúmeras torres e capiteis. Do alto do telhado da igreja, pode admirar-se uma vista maravilhosa da cidade.
A sua fachada é uma mistura feliz dos seguintes estilos: barroco, neogótico e neoclássico. As portas são de bronze do séc. XIX. Os mais bonitos são os portões centrais, projetados em 1906, por Lodovico Pogliaghi, em estilo neoclássico com influências Art Nouveau.
No pórtico com cinco baixos-relevos estão 1.629 desenhos Giambattista Crespi. O resto da decoração da fachada principal, foi realizada a partir do início do séc. XIX. A parte mais antiga da catedral é a abside, com três janelas rosa maravilhosas, desenhadas por Filippino de Modena.
A construção desta catedral durou vários séculos. A torre central foi concluída em 1769, e a fachada foi concluída após uma ordem de Napoleão. As obras foram concluídas no séc. XIX, mas após a II Guerra Mundial, o templo teve que ser reconstruído porque sofreu alguns danos.
O interior desta catedral é tão impressionante como o seu exterior. Ali podem ser encontrados alguns monumentos interessantes. Um dos mais interessantes é o túmulo do arcebispo Ariberto de 1045, com um crucifixo de ouro do séc. XI. Dignos de reparo são também os monumentos tumulares de Ottone e Giovanni Visconti, o de Gian Goiacomo Medici (1560), o de San Bartolome e Marco Carelli (1394), na nave direita.
Alguns outros trabalhos interessantes na catedral são: o monumento do Papa Martinho V (1424), por Tradate; o Cardeal Mario Caracciolo (1538), por Bambaia; o altar-mor no presbitério do séc. XVI; o conjunto de cadeiras, do séc. XVI e na nave o Candelabro de Trivulzio.
Fonte: http://www.virtourist.com / Wikipédia.org / http://wikitravel.org/

Lago di Como

Seguimos viagem a partir do Lago Garda, pelo vale do rio Pó, a caminho do Lago di Como. Este lago localiza-se entre os Alpes e o vale do rio Pó, perto da fronteira com a Suíça e tem o formato de um "Y" invertido.

O nosso passeio foi realizado pela estrada escavada na encosta rochosa das montanhas que o circundam, com muitos pequenos túneis  e uma das faixas de rodagem que cai a pique sobre o lago. Para nós essa faixa ficava do nosso lado (o lado direito de quem circula de Lecco para Bellagio),  Esta estrada circunda as margens, na zona interior do “Y” invertido, a sul do Lago di Como, unindo as cidades ribeirinhas de Lecco, Bellagio e Como.

Com uma área de 146 km², é o terceiro maior lago da Itália. Desde os tempos romanos o Lago di Como é conhecido como Lario, nome que deriva do latim Larius Lacus. Hoje em dia o termo mais empregado é lago di Como, referindo-se à cidade mais populosa que existe junto ao lago, Como situada a sudoeste do lago.

As cidades de Lecco e Como estão situadas nas pontas do "Y" invertido, a sudoeste e sudeste respetivamente. As pequenas cidades de Bellagio, Menaggio e Varenna, estão situadas na intersecção dos três ramos do lago e podem também ser visitadas facilmente através de barcos ou balsas, para quem não se quiser aventurar por estreitas estradas, em precipício.
O Lago de Como é circundado por montanhas altíssimas, com altitudes cima de 2.000 m e também por serras baixas bastante arborizadas. As cidades maiores concentram-se nos vales mais largos de clima ameno e nas planícies são encontradas em alguns lugares em redor do lago.
A paisagem observada das margens do Lago di Como, como é habitual nos lagos de montanha, possui singularidades ambientais e paisagísticas de grande beleza cénica. Ao final da tarde, quando fixemos o percurso turístico, em alguns locais, uma leve camada de nevoeiro elevava-se do enorme espelho de água, ficando confinada entre as montanhas e conferindo uma atmosfera mística ao lugar. O pôr-do-sol é de uma beleza ímpar e absolutamente inesquecível.

As enormes montanhas escarpadas que cercam o lago crescem vertiginosamente junto às suas margens, permitindo apenas uma breve linha de casarios brancos na sua base. Em alguns lugares as casas trepam pelas encostas, em ingremes levadas quase a partir do nível da água do lago.

O Lago di Como é um exemplo vivo da ação dos glaciares que outrora existiram, responsáveis por um valioso conjunto de acidentes orográficos que caracterizam a geografia do lugar onde se encontra e que são responsáveis pela sua particular beleza. Por estas razões o lago é um destino romântico, charmoso, agradável e tranquilo, com a vantagem de estar muito próximo de Milano (Milão).

Na zona angular (formada pelo “Y” invertido) localizada no ponto extremo do triângulo lariano, na península que divide o Lago di Como em dois braços meridionais, situada na margem sul do lago, encontra-se a povoação de Bellagio, “la perla del lago” (a pérola do lago).

É uma cidade que se encontra sobre o promontório do Monte Nuvolone com seus 1.094 m de altura, que outrora era um antigo vilarejo de pescadores. O seu nome significa "belo lago" e é uma atração turística, desde o século XIX.

Graças às suas estreitas ruas de paralelepípedos, vistas deslumbrantes e casas de fachadas impecáveis, esta gloriosa villa ajardinada, é considerada a cidade mais bonita de toda a Europa. Do passeio público à beira do lago vê-se ao norte, o impressionante maciço alpino.

Fonte: Wikipédia.org / http://www.initaly.com/

Lago Garda

Após uma boa noite de descanso, partimos da cidade de Verona a caminho de Milão, pela A4. No caminho queríamos fazer desvios para passarmos pelas margens do lago Garda e do lago di Como. 
“É uma região que tem tudo fabuloso. Belezas naturais, arquitetura elegante, relaxantes passeios de barco e energéticos desportos aquáticos”, diz-nos Matthew Telle, famoso jornalista premiado e repórter de viagens.
A frase refere-se especificamente a uma área no norte da Itália onde há uma série de estreitos lagos glaciares, intercalada entre o sopé dos Pré-Alpes e já próxima da fronteira com a Suíça.
O primeiro lago procurado por nós,  foi o lago Garda, que é também o maior lago de Itália e fica localizado entre as regiões da Lombardia (província de Brescia), Vêneto (província de Verona) e TrentinoAlto Adige (província de Trento).
Possui uma enorme beleza natural, é circundado por montanhas e possui cinco ilhas. Tem uma profundidade de 350 metros e uma largura de 50 metros e a parte norte do lago é a mais estreita, apresentando-se cercada por enormes montanhas.
No nosso passeio, visitámos apenas as margens sul do lago Gardia, aproveitando para percorrer a comprida restinga onde fica situada a antiga cidade de Sirmione. Antes de chegarmos ao lago Garda apaisagem é campesina, coberta por colinas cultivadas com acomodação de várias culturas, como a vinha, milho, trigo, girasol... É uma paisagem que não cansa, com casas de campo em campo aberto, onde é possível admirar a fauna e os animais da fazenda.
À saída da A4, que nos trouxe desde Verona, encontra-se Peschiera del Garda, a primeira povoação encontrada a sul do lago Garda, que é uma das cidades mais pitorescas da margem sul do lago. Seu centro histórico é pequeno, e fica situado dentro de muralhas do séc. XVI. 
Inicialmente este local foi usado pela primeira vez como uma fortaleza no séc. VI e mais tarde os venezianos construíram uma ali uma fortaleza, em 1556, que mais tarde foi usada pelos austríacos. A pequena cidade tem diversos canais, com algumas ruas destinadas aos peões, com lojas, bares e restaurantes. Fora das muralhas há praias, caminhos pedestres ao longo do lago, uma estação de trem e um porto com balsas, que servem outras cidades lago de Garda.
Perto dali, há o “Gardaland”, um dos parques temáticos mais famosos da Itália, que se encontra em Castelnuovo del Garda, perto Pescheria del Garda.
Em seguida e a pouca distância entra-se na restingua que possui a cidade de Sirmione, uma cidade muito popular, procurada por turistas devido à sua localização e beleza. Apesar de pequena, a antiga cidade fortificada de Sirmione, tem muitas lojas de moda de marcas famosas e é ladeada de barzinhos, inúmeros restaurantes, hotéis e um mercado. A cidade é também conhecida por seus “resorts” de banhos termais.
Esta antiga cidade medieval é composta por ruelas e a sua entrada principal é feita pelo pitoresco centro medieval, onde está situado o Castelo Scaliger, que remonta ao séc. XIII e que é o seu principal cartão postal.
Sirmione é também uma cidade muito procurada desde tempos idos por artistas e poetas. Nela viveu outrora o poeta romano Catulo, que ali teve uma casa, e ainda ali podem ser encontradas algumas ruínas romanas da villa de Catulla, conhecida hoje por Grotte di Catullo (Gruta de Catulo). A Grotte di Catullo, situa-se na península de Sirmione, num lugar situado em ponto espetacular e cercado por oliveiras e limoeiros.

Ao longo da península, a estrada vai percorrendo o litoral, bem perto das margens do lago que possui um azul intenso, com muitas e pequenas marinas, que convidam à navegação serena e conhecimento profundo das povoações que salpicam as suas margens.
Tomando um barco em Sirmione, faz-se um passeio maravilhoso pelo lago, conhecendo a sua beleza e as suas ilhas, até se chegar à pequena cidade de Gardone, que apesar de pequena é uma cidade aconchegante, com ruas e casas enfeitadas por flores, que é na verdade um paraíso.
O lago tem uma paisagem variada com praias ao longo da costa sul e falésias acima do litoral norte. Nas suas margens existem muitas aldeias pitorescas, castelos medievais e passeios à beira do lago, que pontilham as suas margens.

O lago Garda é conhecido por suas águas límpidas, com grande aptidão para a natação, Windsurf e vela, no verão. Também é um lugar ótimo para caminhadas que em muitos parques do lago, são uma das atividades mais populares.
Pelo lago Garda já transitaram muitas pessoas famosas da história italiana, como Dante Alighieri, Carlos Magno e também alguns santos famosos, como Santo António de Pádua (na realidade de Lisboa, onde nasceu). Também foi um lugar muito procurado por inúmeras celebridades, para ali passarem as suas férias, como Sofia Loren e Greece Kelly.
Fonte: wikipedia.org / http://www.virtualtourist.com/

Ser diferente


A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.


Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'

O que distingue um amigo verdadeiro

Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.
Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta..

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. 

É fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus.
A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser.
 
Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

Todos nós hoje nos desabituamos do trabalho de verificar

Todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluídas que formamos as nossas maciças conclusões. Para julgar em Política o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manhã de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou — apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que soberana facilidade declaramos — «Este é uma besta! Aquele é um maroto!» Para proclamar — «É um génio!» ou «É um santo!» oferecemos uma resistência mais considerada. Mas ainda assim, quando uma boa digestão ou a macia luz dum céu de Maio nos inclinam à benevolência, também concedemos bizarramente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa ou a auréola, e aí empurramos para a popularidade um maganão enfeitado de louros ou nimbado de raios. Assim passamos o nosso bendito dia a estampar rótulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. Não há ação individual ou coletiva, personalidade ou obra humana, sobre que não estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opinião bojuda. E a opinião tem sempre, e apenas, por base aquele pequenino lado do facto, do homem, da obra, que perpassou num relance ante os nossos olhos escorregadios e fortuitos. Por um gesto julgamos um carácter: por um carácter avaliamos um povo.
Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'

O maior problema é quando a verificação tende para o infinito... Aí o mal é outro. É doença que passa por contágio...

Visita a Verona - 2º Dia - Parte VII


Após o jantar e cerca de meia hora antes do início do espetáculo de ópera, caminhamos em direção à Arena de Verona para assistirmos à Ópera Turandot, um drama em 3 atos de Giacomo Puccini.
A noite caiu muito chuvosa e mesmo após o jantar, uma cacimba persistente teimava em não abrandar. Comprámos impermeáveis a vendedores ambulantes, que nos protegeram dos chuviscos intensos durante a caminhada até à Arena de Verona.
Lá dentro a multidão rapidamente encheu as milenares bancadas em pedra da esplendida Arena de Verona, e um colorido intenso completou o cenário magnânimo e emocionante, próprio de um espetáculo daquela natureza.
Há algo peculiarmente pungente sobre a ópera Turandot. Ela é a última ópera de escrita e pensada por Giacomo Puccini, que só estreou depois da sua morte em 1924. Na verdade a magistral ópera ficou inacabada e a história de Turandot foi por ele elaborada a partir de um conjunto de histórias persas inspiradas no livro das “Mil e uma Noites”, e as suas cenas supostamente passam-se em Pequim.
O espetáculo tardou a iniciar, uma vez que os chuviscos, agora entre algumas abertas teimavam em prosseguir. Assim à medida que o tempo passava a orquestra ia afinando os diversos instrumentos e as arpas por várias vezes, entravam na arena ou logo as retiravam, não fossem estes sensíveis instrumentos sofrer com a humidade.
Após uns 3 quartos de hora, os chuviscos cessaram e a lua apareceu esplendorosa sob a Arena de Verona, como que impondo a sua vontade de querer também, tal como nós e todos os que ali se encontravam, apreciar o bel canto naquela conturbada noite de agosto.
Sobre a ópera sobra muito a dizer: “Turandot” é sem dúvida nenhuma uma obra-prima; o cenário fabuloso; a direção, excelente, de Franco Zeffirelli (que no final veio até ao palco receber as ovações do público); a acústica proporcionada pela milenar Arena de Verona, excelente; todo o Bel Canto, simplesmente maravilhoso.
E com chave d'ouro despedimo-nos da bela cidade de Verona.

Visita a Verona - 2º Dia - Parte VI

Deixámos a Tomba di Giulietta tomando novamente o caminho da Piazza Bra. A elegante  Piazza Bra encontrava-se novamente cheia de gente desde a área da Areana até à área alinhada com cafés. Esta praça além de edifícios governamentais e lojas, possui uma enorme elegância que facilmente esconde a sua história anterior, tendo sido outrora um mercado de gado local. Há também ali um escritório de informações turísticas no extremo sul da Piazza, perto da Câmara Municipal.

Da Piazza Bra até à Piazza della Erbe, embora ameaçasse chover, podemos ainda sem sobressaltos desfrutar da caminhada pela Via Mazzini, só com acesso a piões, onde se encontram muitas das mais famosas lojas de moda, onde os endinheirados que gostam de marcas, podem adquirir roupa e sapatos Gucci, Cartier, Fendi, entre outras.

A Via Mazzini termina na Via Cappello, a rua onde se encontra a famosa Casa di Giulietta, no nº 23. Ali perto, algumas ruas atrás, na Via Arche Scaliger, encontra-se a Casa di Romeo 

É uma autêntica casa medieval, onde é suposto ter vivido a família dos Montagues. No entanto só há a certeza de ter sido propriedade da família Cagnolo Nogarola, do século XIV, que faziam parte dos della Scala. A varanda é gótica e o pátio está a necessitar de obras. A casa não pode ser visitada e pertence a uma hospedaria que tem um restaurante adjacente. Na fachada uma inscrição em memória da história de Romeo e Giulietta.
Encaminhamo-nos para a Piazza delle Erbe que transborda de história, com edifícios de arquitetura fascinante, bem como bancas de fruta colorida, produtos hortícolas e recordações.
Mesmo antes de se entrar na Piazza delle Erbe, passa-se o Arco della Costa (Arco da Costela), que deve o seu nome à costela de baleia que ali se encontra pendurada. Este arco dá passagem para a praça vizinha da Piazza delle Erbe, a Piazza dei Signori.

A Piazza dei Signori ou Piazza Dante, é uma das mais famosas praças da cidade, que guarda sinais importantes da família Scala (os senhores da cidade na época medieval) e da dominação veneziana. No centro da praça, observa-se a estátua de Dante Alighieri, do séc. XIX, que lembra a longa estadia do poeta na cidade, depois de ser banido de Florença. Dante foi ali magistrado no do Tribunal de Cangrande.
A estátua de Dante Alighieri, parece fixar-se no Palazzo del Capitano, em frente, que foi o antigo palácio do governador militar de Verona. Também ali se encontra o Palazzo della Ragione (Palácio da Razão), o tribunal. No seu pátio sobressai uma magnífica escadaria exterior em pedra. Do cimo da Torre Lamberti, no lado ocidental do pátio, podem avistar-se os Alpes italianos e a cidade.
Próximo da entrada do edifício de Santa Maria Antica, a igreja românica da antiga família della Scala, podemos entrar no panteão com os túmulos dos príncipes Scaliger. O Panteão Scaliger encontra-se rodeado de muros encimados por um rendilhado gradeamento em ferro forjado, que se abre à rua por um grande portão em ferro forjado. Junto ao portão encontra-se o magníficico túmulo de Cangrande I della Scala, e por trás todo o complexo monumental dos Arcos della Scala, com os túmulos de Mastino II e Cansignorio.
Seja por projeto ou acaso o sentimento emanado dos túmulos é bastante indecifrável, o que certamente contribui para a sua mística. Na praça toda a área é repleta de magníficos edifícios de história intrigante. Há até um lugar onde uma velha estrada romana espreita para fora, sob os pátios e calçadas.
Do lado norte da Piazza dei Signori, atrás da estátua de Dante Alighieri, fica a Loggia del Consiglio, construída em 1400 e um dos melhores edifícios da Renascença italiana (por Fra Giocondo, 1486-1493), coroada com estátuas de cidadãos famosos da antiguidade, nascidos em Verona, como Plínio, o Velho, o naturalista e Vitrúvio, o arquiteto.
A chuva começou a cair de forma intensa e rapidamente desapareceram as gentes da cidade e os turistas, e nós ali ficámos a observar a chuva torrencial, que fazia elevar o bom cheirinho a terra seca.
Sem conseguirmos apanhar um táxi, pois deveriam todos estar em serviço, resolvemos jantar com antecipação e numa corrida fomos até a um pequeno bar, situado na esquina exterior do Palazzo della Ragione, onde num ambiente acolhedor se serviam pizzas e saborosas lasanhas. E ali estivemos, até à hora de irmos para a ópera.

Fonte: http://www.offbeattravel.com / http://www.tourism.verona.it