Aquí nasceu Almanzor, em 939, o grande capitão do exército árabe, que levou a fronteira muçulmana até aos Pirinéus, vencendo cinquenta campanhas seguidas sem perder uma única batalha.
Também conhecida por "A pomba branca", é um ponto de encontro de muitos povos, culturas e religiões, Tetouan é uma cidade acolhedora, uma mistura de culturas e cores, que corre ao lado do Mediterrâneo. "Pomba Branca" para os poetas árabes, "Pequena Jerusalém" para os outros, Tetouan, uma cidade que não deixa ninguém indiferente. Única na sua diversidade de origens, quer nos seus fundadores, quer nos seus actuais habitantes. Mudéjares, Mouros, judeus sefarditas da Península Ibérica e árabes.
A capital do Norte de Marrocos, Tetouan está situada no meio de arvoredo. Uma cintura de pomares, plantados com laranjeiras, amendoeiras, romãzeiras e ciprestes, misturam-se com casas brancas que se agarram à encosta. Perto, as sombrias montanhas do rift a enfatizar com agradáveis cores o sítio urbano que domina o vale fértil de Martil.
O seu Kasbah, as suas pequenas casas e palácios (com pátios, fontes e jardins), os seus minaretes, mausoléus e seus terraços. Ela tem preservado, ao longo do tempo a alma andaluza e o corpo mouro, o que a torna a mais Hispano-árabe de todas as cidades marroquinas.
Fundada em 1305, a muralha de Merinid Abou Tabit, serviu de base para operações militares contra as invasões a Ceuta e mais tarde tornou-se um refugio de piratas. Foi mais tarde invadida por espanhóis que a ocuparam por um longo período, e quando a não conseguiram conservar, destruíram-na. No entanto, a vila foi repovoada no séc. XVI, pelos muçulmanos que lá se fixaram e os judeus que tinham sido perseguidos desde a Andaluzia e que aqui de fixaram.
A cidade prosperou sob o reinado de Moulay Ismail. Tal como Rabat e Fez, Tetouan é uma cidade "hedrya", isto é, um centro de cultura e requinte. As ruas entre as paredes brancas e azuladas desembocam em pequenas praças, que se transformam em centros de intensa actividade.
Tetouan tem souks espalhados ao redor da Medina, muitos deles situados em zonas demarcadas. Os alimentos são vendidos no entanto em zonas diferentes, não ocupando o seu próprio espaço, e sim vendidos nas ruas. Todos os tipos de frutas e legumes e também peixe fresco, podem ser comprados ali, no início da manhã . De madrugada chegam mulheres para vender os seus produtos. Envoltas em impermeáveis e calçando polainas até ao joelho, ou usando roupas coloridas às riscas, feitas com tecidos berberes e chapéus de palha decorados com pompons, elas oferecem a manteiga, o mel, produtos hortícolas e plantas aromáticas, a uma animada clientela.
O Suuq al-Houts está na zona direita da Medina e o Suuq ar-Bab Rouah, próximo da Praça Hassan II, e é tão charmoso como é pequeno. Tetouan tem uma determinada especialidade de tecidos de algodão riscado, conhecida como fouta, que tem uma grande variedade de padrões. Nas ruas, é visto na indumentária comum, quer em homens, quer em mulheres, como por exemplo um tipo de saia usada pelas mulheres berberes das aldeias. Mas em casa, é utilizado para decoração.
No Guersa al-Kebira, mercado de objectos usados, onde se pode vender tudo em ferro e aço e também camas, cuja simples presença é absolutamente impressionante, uma vez que as ruas que circundam a área deste mercado, são tão estreitas e curvas que em muitos pontos a passagem de uma cama de dois metros, parece impossível.Tetouan merece a sua reputação como um centro cultural, tem muitos monumentos: Uma fortificação bem preservada, uma série de mesquitas e fontes, e por último mas não menos importante, o antigo palácio do Khalifa, que é agora uma das residências de Sua Majestade o rei de Marrocos. O palácio foi construído no século XVII, mas foi renovado e restaurado em 1948 de modo a que mantivesse o seu carácter, sendo um exemplo ideal da arquitectura hispano-árabe.
Dois museus, um conservatório de água, uma Academia de Belas Artes e uma Escola de Arte marroquinas estão entre os estabelecimentos culturais que Tetouan. Ainda assim, o melhor e mais fascinante na visita a esta bela cidade, continuam a ser as suas vielas, que por vezes mergulham sob grandes arcadas, apenas para reaparecer numa pequena praça ou mesmo conduzir a um beco sem saída.
Cada rua é ocupada por um tipo de comércio. A rua dos tintureiros que, não é muito longe da dos tecelões e joalheiros. Os fabricantes de objectos de couro estão mais próximas dos curtumes e de outras oficinas de artesanato. Tetouan detém muitas vivências e maravilhas, mantendo a venerável tradição, e um modo de vida, que a torna uma cidade única.Tetouan traça as suas origens desde o séc. III a.C., sendo de início um simples assentamento chamado Tamouda que existiu até 42 a.C., quando foi destruída pelos exércitos romanos. Quando o sultão Merinid Abu Thabit, mandou construir um Kasbah em Tetouan, em 1307, a cidade muçulmana começou a encontrar a sua forma. No entanto, era um refúgio para os piratas e Tetouan chamou a ira do castelhano, rei Henrique III, cujas forças conquistaram a cidade em 1399.
Um século depois, Tetouan entrou num período de declínio, até ficar sob a protecção da Andaluzia, por influência de refugiados vindos de Granada. A partir de 1484, a cidade teve um grande desenvolvimento de carácter cultural e arquitectónico de influência espanhola e também muçulmana, que até hoje perduram. Em 1913 passou a ser a capital do protectorado da Espanha até à independência do território em 1956.Localizada numa área agrícola, Tetouan é hoje um mercado moderno e o centro de toda a área agrícola envolvente, onde cereais, citrinos, animais e artesanato são comercializados. Além disso, uma grande variedade de produtos são fabricados em redor da cidade, incluindo tabaco, sabão, jogos, materiais de construção e têxteis. As principais indústrias da cidade são as de conservas de peixe e o artesanato.
Sidi Kacem é uma cidade de média dimensão do Noroeste de Marrocos. Os seus habitantes, os "Kacemis" são cerca de 74.062 (segundo o censo 2004). Situada entre as cidades de Meknes (45 km), Tanger (210 km), Fez (85 km) e Rabat (120 km), perto do rio Rdom, a partir do qual se estende a grande e fértil planície do Gharb ("Gharb" em árabe significa o Ocidente).
Fazendo parte da "província de Sidi Kacem" (região do Gharb-Chrarda-Beni Hssen) mais conhecida por "Chrardas", a cidade é um centro de recolha de grão, produzido nas montanhas a leste e a norte. A cidade também é um mercado activo, do Sudeste de Marrocos, devido aos produtos da rica planície do Gharb, como os citrinos, o azeite, o algodão, a beterraba e o arroz. Estes produtos são escoados para o resto do país, através da estação e linha de caminho de ferro que serve a cidade e os seus arredores.
A cidade tem dois grandes Souks (mercados), o de quinta-feira, na cidade e os novos Souks (desde 1978) no domingo, na estrada para Fez a norte da cidade. Tem também um festival anual de gado, com várias espécies e ainda cavalos árabes. A cidade foi fundada em duas fases, que deram origem a duas zonas distintas e separadas, a Zaouia que é o centro da cidade e o seu souk al-Khmis.
É o centro intelectual e espiritual do país, e a mais antiga cidade do reino de Marrocos. Mantendo a fisionomia do Islão Medieval, é uma cidade, que sofreu poucas alterações através dos tempos, conservando dentro das suas muralhas, os tesouros artísticos da milenária monarquia. Durante a sua história, a cidade teve longos períodos de grandes dificuldades, mas sobreviveu a todos eles, tendo hoje a sua própria cultura e o seu orgulho.
A cidade de Fez, foi fundada pelos merínidas, (berberes que se destacaram como grandes construtores), em 789 d.C, num lugar entre as montanhas, junto ao rio. Os merínidas foram uma dinastia berbere que reinou em Marrocos, após a queda dos almóadas entre os séculos XIII e XV. A dinastia teve as suas origens nos berberes zenatas, aliados tradicionais dos omíadas de Córdova. Em 1248 o chefe da tribo, Abu Yahya, conquistou a cidade de Fez e nos dez anos que se seguiram conquistou todo o Marrocos, com excepção de Marrakech, tomada em 1269 pelo seu irmão e sucessor, Abu Yusuf.
Cidade de uma beleza indescritível, a que Winston Churchill chamou "Paris do Deserto", prende os visitantes pelo esplendor dos seus palácios e jardins, misturados com a atmosfera do Marrocos tradicional, o que lhe dá uma cor e um fascínio surpreendentes. "Primeiro estranha-se, depois entranha-se" - referiu Fernando Pessoa no seu caderno de viagens, com a impressão que teve de Marrakech. Uma vez entranhada, pode-se respirar o seu ar de surpresas, repleto de sabores intensos, cores frenéticas e sons vibrantes. Marrakech é realmente camaleónica, ao estilo das grandes metrópoles cosmopolitas, como Nova Iorque ou Paris.
Hoje possui um vastíssimo Kasbah, e a exótica Praça de Djemaa el Fna, fervilha de animação: músicos, vendedores de bebidas, encantadores de serpentes, saltimbancos, cartomantes, acrobatas, contadores de histórias... Nos bazares, artífices fabricam artesanato. Existem vendedores de laranjas e do seu sumo, de especiarias, de frutos, de nozes e outros frutos secos, de ervas raras, de amuletos, aguadeiros (vendedores de água)…; ao entardecer a confusão ainda aumenta mais, para se comer à noite, bolo de batata, couscous e espetadas.
As muralhas da cidade, do séc. XII, com as suas nove portas, com 19 km de perímetro e 202 torreões, de fortes tons rosados, e com o minarete da Mesquita Koutoubia, de 70 m de altura, séc.XII, a porta Bab Aguenaou, contemporânea da Koutoubia, vizinha da porta Bab er Rob, sendo a primeira, um belo exemplo da porta monumental almóada.
Nas fábricas de curtumes do souk, vemos os gestos ancestrais dos curtidores de peles, onde há séculos nada muda... Por entre as peles estendidas ao sol, sobre palha, perto das vasilhas, os artesãos utilizam em permanência, o açafrão para obter o amarelo, a papoila para o vermelho, o indigo para o azul e o antimónio para o preto... Tendo aqui um olhar indispensável sobre o passado.
A viagem de caleche pelo palmeiral, embalados pelo trote vigoroso do cavalo; sentindo a brisa que corre ligeira; admirando as palmeiras que se desenham, abraçando o céu; dando a volta ao palmeiral, ao pôr-do-sol, é momento a não perder.
O Mausoléu do Soberano e a universidade religiosa de Ben Youssef, que é a maior do Maghreb, (séc.XVI); a mesquita El-Mansour, séc. XII, com seu grande minarete. À direita da mesquita, uma rua estreita conduz à entrada dos túmulos Sádidas, pequeno cemitério com esplêndidos mausoléus, onde repousam os membros desta dinastia, que foram construídos no séc.XVI.
A El Badia foi edificada no final do séc. XVI, encontrando-se hoje em ruínas. No interior deste palácio existe um laranjal. O Parque Ménara (a cerca de 2 km para oeste de Bab Jdid), enorme reservatório de água do séc. XII (que servia para regar um extenso laranjal, e que está aberto todos os dias até ao pôr-do-sol), onde o rei se passeava num barco que lá afundou; a mansão de Yves Saint Laurent com o seu soberbo jardim, (onde recentemente, depois da sua morte, foram lançadas as suas cinzas), e ainda muito, muito mais para ver da cidade mais pitoresca e procurada de Marrocos…
Quando chegámos a Tanger, já estava a anoitecer, e logo que desembarcámos, fomos procurar hotel. A procura foi longa, porque nesta época há sempre grande quantidade de emigrantes do norte de África, em viagem do seu país de origem, onde passaram as suas férias, para o país de emigração, ou a caminho das suas férias, na terra natal.
Situada num belo anfiteatro de colinas de onde se domina o Estreito de Gibralter, Tanger é uma cidade cheia de atractivos, não só devido às suas características marroquinas, mas também pela atmosfera cosmopolita que aí se respira. A sua posição estratégica, porta da Europa e de África, valeu-lhe o ser cobiçada durante muitos anos.