Sangue, Suor e Lágrimas
A vida traz-nos surpresas,
Quando por azar do destino,
O novelo branco da vida,
Se mancha involuntariamente sem tino.
Homens sedentos de sangue,
Juntam-se em grupos malignos,
Tentando escalar sem suor,
Montanhas para lugares dignos.
Párias transparentes,
Sedentos de poder e facilidades,
Mexem cordéis sociais,
Com intrigas e venenos, presos em
estendais.
Não se preocupam com a dor,
Nem com as lágrimas que aos outros
causam,
Apenas querendo ver Sangue,
Sem suor e sempre sem lágrimas.
Lila Cardoso
Alma Latina. Eduardo Galeano
Eduardo Hughes Galeano (Montevidéu, 03 de setembro de 1940 – Montevidéu, 13 de abril de 2015) foi um jornalista e escritor uruguaio, que nos deixou mais pobres à pouco tempo. Foi autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem géneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e histórica.
Nesta entrevista Eduardo Galeano faz uma reflexão sobre o Mundo Latino, numa análise muito bela sobre o bem e os males terrenos, na sua essência de escritor procurando sempre aquilo que o transcende e que domina. Enfatizando o segundo e minimizando o maior.
Nesta entrevista Eduardo Galeano faz uma reflexão sobre o Mundo Latino, numa análise muito bela sobre o bem e os males terrenos, na sua essência de escritor procurando sempre aquilo que o transcende e que domina. Enfatizando o segundo e minimizando o maior.
Educação, Ética, Direito e Moral
A
confusão que acontece entre as palavras Moral e Ética existem há muitos
séculos. A própria etimologia destes termos gera confusão, sendo que Ética vem do grego “ethos” e que
significa modo de ser,
e Moral
tem sua origem no latim, que vem da
palavra “mores”, significando costumes.
Esta
confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto
de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são
adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava a Moral
como a “ciência dos
costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.
Já
a palavra Ética,
Motta (1984) defini como um “conjunto de valores que orientam o comportamento
do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo,
outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética
é a forma como todo o homem deve comportar-se no seu meio social.
Ética e Moral são então os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida".
Assim o homem, no seu livre arbítrio, vai formando o seu meio ambiente ou destruindo-o. Apoiando a natureza e suas criaturas ou subjugando tudo que pode dominar, e assim ele se transforma no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral formam-se numa mesma realidade.
Ética e Moral são então os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida".
Assim o homem, no seu livre arbítrio, vai formando o seu meio ambiente ou destruindo-o. Apoiando a natureza e suas criaturas ou subjugando tudo que pode dominar, e assim ele se transforma no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral formam-se numa mesma realidade.
Fontes: http://www.coladaweb.com/filosofia/moral-e-etica-dois-conceitos-de-uma-mesma-realidade;
http://www.youtube.com/watch?v=NmkZfRySFRI
A Educação Proibida
A Educação Proibida (La Educación Prohibida) é um filme documentário
que se propõe questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de
entender a educação, visualizando experiências educativas diferentes, não
convencionais que colocam a necessidade de um novo paradigma educativo.
Este é um documentário
imperdível para todas as pessoas que sejam educadores, pais e todos aqueles que
de alguma maneira, estejam envolvidas em atividades educativas e de crescimento
de crianças.
Boa visualização…
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=AeubY7iqQ2U
Dá que pensar!
A PERMANÊNCIA DA MILITÂNCIA INSURGENTE
A
aposentação é uma fase da vida que sucede a muitas outras, umas por de mais
inquietas, outras (in)utilmente seguras e outras ainda (talvez, poucas) de
remanso aconchegado. Com a reforma apressa-se uma outra casta de desassossegos
(e, sobretudo de ruturas) que suscita, na vida de cada um, inopináveis
intimidações e/ou instigações, na contraditória presença de uma vida que se
ausenta e de uma outra que, embora ainda ausente, se presta (por cumplicidade)
ao diálogo da reinvenção. Apesar de alguns ganhos esperados, as perdas existem
e o espectro da desagregação persiste em atrair (na sua peculiar crueldade)
depreciações que envelhecem. Posto isto, interpelar (com convicção) o círculo e
a materialidade do que (realmente) pode fazer sentido torna-se um eficaz
antídoto para, com vantagem, alcançar um atraente porvir pese embora o que se
abandona do tempo vencido.
Enquanto
o corpo e a mente – solidários – permitem aspirar desses proveitos, há que
cuidar desse bem, aliás cada vez mais escasso, destinando desígnios ao tempo
incerto que o compõe. Confesso, que uma das atividades por mim adotada, por
arreigada oposição ao politicamente conveniente, está no empenhamento
aperfeiçoado da insurgência como prática libertadora de capturas múltiplas
cevadas nesta (e por esta) paradoxal democracia. Nela, cria-se e faz-se prosperar uma cultura surreal (política e
cultural) celebrando-se liberdades que, com descaro, se abastardam na densidade
(própria e estranha) de tuteladas obediências que se impõem num angustiante
crescendo. Dar forma à razão genuína, sentida e vivida como verdade,
torna-se (assim) num experimento de recomeçados questionamentos e de
infindáveis afinidades de reação e resistência.
Aqui, ali ou em todo o lado, não se pode dizer
tudo, não se pode falar de tudo e muitos não podem sequer falar. O tabu, a
ritualização e o privilégio dos que decretam e podem, aclaram assim os limites
do dizível assinalando as sombras da inclusão (ou os territórios da exclusão)
onde as singularidades se silenciam e os medos se escondem. O
politicamente conveniente não é, nem poderia ser, um lugar rumoroso. Ele nada
anuncia e a discrição é o seu poderoso disfarce. Habita (por isso), na
excelência do silêncio, os lugarejos onde se engenha o domínio e a acomodação
das verdades e dos saberes úteis. Verdades e saberes que obedecem a vontades de
poderes combinados, embora nem sempre amigáveis, que dão forma e traçam os
roteiros, beatos e amáveis, donde irrompe o dizível. A insurgência tem uma outra vontade, provavelmente avessa, não
desconhecendo que os poderes renascem sempre e que sempre reagem onde a
liberdade espreita. Assim sendo, a militância da insurgência regressa,
igualmente sempre, ao prólogo de um texto que o legitima acreditando que o
texto que sucede seja distinto, naturalmente para melhor…
Almiro Lopes, in Revista ESCOLAinformação
(SPGL), de janeiro de 2013
O Medo que dá Medo
Muitas mães
estão com medo de que os seus filhos sintam medo. Pedem para a escola não
contar determinadas histórias e para trocar a indicação do livro que o filho
deve ler. Elas também não deixam que as crianças assistam a filmes que, seja
qual for o motivo, provoquem medo. Basta que o filme veicule uma ideia: nem
precisa conter cenas aterrorizantes.
Essa reação dos
pais leva a crer que o medo é necessariamente provocado por um motivo externo à
criança e que é uma emoção negativa que os pequenos não devem experimentar.
Vamos pensar a esse respeito.
Primeiramente,
vamos lembrar que toda criança pequena sentirá medo de algo em algum momento de
sua vida. Medo do escuro, medo de perder a mãe e medo de monstro são alguns
exemplos. E esses medos não serão originados necessariamente por causa de uma
história, de uma situação experimentada ou de um mito. Esses elementos servirão
apenas de isca para que o medo surja.
Tomemos como
exemplo o medo do escuro. De fato, é na imaginação da criança que reside o que
nela lhe dá medo; o escuro apenas oferece campo para que essas imagens de sua
imaginação ganhem formato, concretude.
É que, no
escuro e em suas sombras, a criança pode "ver" monstros se
movimentando e até "ouvir" os rugidos ameaçadores dessas figuras. No
ambiente iluminado, tudo volta a ser a realidade conhecida porque a imaginação
deixa de ter seu pano de fundo. Os rugidos dos monstros voltam a ser os sons
naturais do ambiente. E as monstruosas imagens são diluídas pela claridade.
E por que é bom
a criança experimentar o medo desde cedo? Porque essa é uma emoção que pode
surgir em qualquer momento da sua vida e é melhor ela aprender a reconhecê-la
logo na infância para, assim, começar a desenvolver mecanismos pessoais de
reação.
A criança
precisa reconhecer, por exemplo, o medo que protege, ou seja, aquele que a
ajudará a se desviar de situações de risco. Paralelamente, precisa reconhecer o
medo exagerado que a congela, aquele que impede o movimento da vida e que exige
superação.
É
experimentando os mais variados medos que a criança vai perceber e aprender que
alguns medos precisam ser respeitados pelo aviso de perigo que dão, enquanto
outros medos exigem uma estratégia de enfrentamento que se consegue com
coragem.
A coragem,
portanto, nasce do medo. E quem não quer que o seu filho desenvolva tal
virtude?
Por fim, é bom
lembrar que, muitas vezes, a criança procura sentir medo por gostar de viver
uma situação que, apesar de difícil, ela pode superar. Cito como exemplo um
mito urbano que provoca medo em muitas crianças na escola: "a loira do
banheiro". Para quem não a conhece, é a imagem de uma mulher que assusta
as crianças quando elas vão ao banheiro.
Uma escola
decidiu acabar com esse mito. Por meio de várias estratégias conseguiu
convencer os alunos de que isso não existia. Alguns meses depois, as crianças
construíram outro mito para que pudessem sentir o mesmo medo que experimentavam
quando se viam perseguidos pela "loira do banheiro".
E quantas
crianças não choram de medo depois de ouvir uma história e, no dia seguinte,
pedem aos pais que a contem novamente?
Conclusão: o
que pode atrapalhar a criança não é o medo que ela sente, e sim o medo que os
pais sentem de que ela sinta medo. Isso porque a criança pode entender que os
pais a consideram desprovida de recursos para enfrentar os medos que a vida lhe
apresenta.
Rosely Sayão, in
Jornal Folha de São Paulo de 02-04-2013
Rosely Sayão é psicóloga e consultora educacional há mais de 30 anos.
Mario Sergio Cortella é
um filósofo, possui Graduação pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora
Medianeira 1975, mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica 1989
sob a orientação do Prof. Dr. Moacir Gadotti e doutor em Educação pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 1997, onde também é professor-titular
do Departamento de Teologia e Ciência da Religião e da pós-graduação em
Educação (Currículo), além de professor-convidado da Fundação Dom Cabral e do GVpec
da FGV-SP.
A Roma Antiga
Ambição, conquista, luxúria, homicídio e o poder de
uma tecnologia sem igual. Estas são as pedras fundamentais do Império Romano.
Por mais de 500 anos, Roma foi a mais imponente e avançada
civilização do mundo. Governada por tiranos e visionários, a ambição e a sede
de poder fê-los empreender obras de engenharia sem precedentes.
As construções colossais de Roma, como a Muralha de Adriano, a Ponte de César, o
Coliseu, o Panteão, os Banhos de Caracala e a Casa Dourada de Nero, em Roma, e os Estádios, Palácios, Estradas e Aquedutos, que espalharam
por 3 continentes, revelaram o poder e a promessa da civilização mais avançada
do mundo.
Mas embora os romanos tenham dominado a paisagem com esses
enormes feitos de engenharia, eles foram impotentes para evitar a própria
autodestruição.
"Eles foram motivados por um ego cultural
coletivo e essas estruturas eram símbolos das ideias de Roma".
Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=2FlRwSte3P0; http://www.documentarios.org/video/detalhar/1153/roma_construindo_um_imperio___parte_01_e_02/
Ponte da Barca - Centro Histórico - 4º Dia - Parte II
Seguimos depois a pé para
continuarmos a visita ao centro histórico de Ponte da Barca que é
lindíssimo. A embelezá-lo, encontramos diversos monumentos dos mais
emblemáticos da vila.
Pequena vila minhota de feição arejada, Ponte da Barca tem um tecido urbano antigo, com ruas estreitas, conservando ainda um dédalo de ruas bordejadas de casas tradicionais dos séculos XVII e XIX.
Por entre as suas antigas casas, dominadas pelo granito, descobre-se um valioso património, com destaque para o Pelourinho manuelino, implantado no centro da velha Praça do Mercado. Frente ao central Pelourinho, a olhar o Lima, encontra-se o Antigo Mercado do séc. XVIII, uma das obras mais emblemáticas da vila. Este peculiar mercado foi erguido em 1752 e constitui uma espécie de grande alpendre retangular com arcadas, que outrora era utilizado para alugar em parcelas aos feirantes em dia de mercado, abrigando-os do sol ou chuva, ou ainda como arrumação de barcos.
Dali até à Igreja Matriz, do século XVIII, é um pulinho. Sobe-se a larga e alta escadaria e em lugar elevado em relação à estrada, com uma bela vista pela frente, encontra-se a Igreja dedicada a São João Batista, com risco de Vilalobos e que possui no seu interior um belo e valioso recheio, onde chama à atenção uma variada talha dourada. À sua volta um belo e arejado largo, convida ao descanso e meditação.
Desce-se a larga escadaria e já na estrada, segue-se a caminho da Igreja da Misericórdia do séc. XVI, um pouco mais acimo do lado esquerdo, com a sua fachada rococó da segunda metade do séc. XVIII. A Igreja da Misericórdia encontra-se num largo, rebaixado em relação à estrada e servido por uma escadaria circular.
Caminha-se depois em sentido contrario, a caminho do Largo do Côrro e do lado direito ergue-se a bela Ponte Medieval, construída durante a regência de D. Pedro, na primeira metade do séc. XV, possuindo 10 arcos de bom diâmetro.
De facto, esta bela Ponte Medieval é o símbolo de Ponte da Barca a que a própria vila deve o atual topónimo. Outrora apelidada de “Nóbrega”, topónimo de provável origem celta, séculos mais tarde foi apelidada de “Barca”, devido ao atravessamento do rio Lima ser então efetuado por meio de uma barca. Posteriormente, aquando a construção de finais do séc. XIV do símbolo da cidade, esta bonita Ponte, passou a ser conhecida por “Ponte da Barca”.
Na realidade esta Ponte é para a vila de grande importância no domínio comercial, constituindo um forte ponto de passagem, centro e eixo regional na direção do litoral.
Mas a esta bela ponte está também ligado um costume antigo das gentes do concelho de Ponte da Barca. É costume antigo, na ponte que atravessa o rio Lima entre Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, fazerem-se batizados à meia-noite. O ritual era procurado por mulheres cujos partos costumavam ser difíceis, os filhos nasciam mortos, ou morriam em poucas horas.
Comecemos pela descrição da cerimónia que, como todos os atos religiosos, tem o seu ritual necessário.
Numa das noites do último mês de gravidez, a mulher prostrava-se na meia laranja brasonada no centro da ponte, antes da meia-noite. Aí, esperava-se a passagem da primeira pessoa, que faria o batizado utilizando água tirada do rio com um púcaro de barro suspenso numa corda. Essa pessoa, que seria chamada de padrinho, deveria passar por acaso e não propositadamente depois da meia-noite e antes dele não podia ter passado fôlego vivo, cão ou gato, ou fosse o que fosse.
Então esse primeiro fôlego humano (não poderia ser cão nem gato, pois não tendo “alma” é óbvio que não a poderia fazer o batizado) faria o batizado. A cerimónia do batizado faz-se de forma simples: embebido na água, um ramo de oliveira, asperge-se por três vezes, o ventre da mulher, repetindo a fórmula: - Eu te batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Não se pode dizer «Ámen». Não se sabe bem por que razão, mas isso fica reservado ao padre, no outro batismo, depois do nascimento da criança. Também não se lhe põe nome, na impossibilidade de saber se será macho ou fêmea. Cumprido o ritual, o padrinho anima a mulher desejando-lhe uma boa hora no parto.
Finda a visita a Ponte da Barca, deixamos por um bocado o rio Lima para trás e seguimos viagem a caminho de Ponte de Lima, para ai lhe deixarmos um último adeus, a fim de encetarmos os quilómetros que faltavam para o final desta viagem, já em direção a casa.
No caminho ainda se parou para um lanche ajantarado numa área de serviço de autoestrada, na companhia de muitos peregrinos de Penafiel, que em excursão, vinham de Santiago de Compostela, e que tal como nós regressavam de um fim de semana alargado, voltando a casa.
Fontes: http://wikimapia.org/4240043/pt/Jardim-dos-Poetas; http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-ponte-da-barca-15596; http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas51/08_Barbara.pdf ;http://www.noivarte.pt/site_marlene/Geral%20site/Batizado%20da%20Meia%20%20Noite.html;http://comunidade.sol.pt/blogs/paz/archive/2008/02/29/BAPTIZADOS-DA-MEIA-NOITE.aspx ;http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-ponte-de-ponte-da-barca-14023
Ler mais sobre os tradicionais batismos da meia-noite no rio Lima em: http://www.lendarium.org/narrative/lenda-dos-baptizados-da-meia-noite/
Pequena vila minhota de feição arejada, Ponte da Barca tem um tecido urbano antigo, com ruas estreitas, conservando ainda um dédalo de ruas bordejadas de casas tradicionais dos séculos XVII e XIX.
Por entre as suas antigas casas, dominadas pelo granito, descobre-se um valioso património, com destaque para o Pelourinho manuelino, implantado no centro da velha Praça do Mercado. Frente ao central Pelourinho, a olhar o Lima, encontra-se o Antigo Mercado do séc. XVIII, uma das obras mais emblemáticas da vila. Este peculiar mercado foi erguido em 1752 e constitui uma espécie de grande alpendre retangular com arcadas, que outrora era utilizado para alugar em parcelas aos feirantes em dia de mercado, abrigando-os do sol ou chuva, ou ainda como arrumação de barcos.
Dali até à Igreja Matriz, do século XVIII, é um pulinho. Sobe-se a larga e alta escadaria e em lugar elevado em relação à estrada, com uma bela vista pela frente, encontra-se a Igreja dedicada a São João Batista, com risco de Vilalobos e que possui no seu interior um belo e valioso recheio, onde chama à atenção uma variada talha dourada. À sua volta um belo e arejado largo, convida ao descanso e meditação.
Desce-se a larga escadaria e já na estrada, segue-se a caminho da Igreja da Misericórdia do séc. XVI, um pouco mais acimo do lado esquerdo, com a sua fachada rococó da segunda metade do séc. XVIII. A Igreja da Misericórdia encontra-se num largo, rebaixado em relação à estrada e servido por uma escadaria circular.
Caminha-se depois em sentido contrario, a caminho do Largo do Côrro e do lado direito ergue-se a bela Ponte Medieval, construída durante a regência de D. Pedro, na primeira metade do séc. XV, possuindo 10 arcos de bom diâmetro.
De facto, esta bela Ponte Medieval é o símbolo de Ponte da Barca a que a própria vila deve o atual topónimo. Outrora apelidada de “Nóbrega”, topónimo de provável origem celta, séculos mais tarde foi apelidada de “Barca”, devido ao atravessamento do rio Lima ser então efetuado por meio de uma barca. Posteriormente, aquando a construção de finais do séc. XIV do símbolo da cidade, esta bonita Ponte, passou a ser conhecida por “Ponte da Barca”.
Na realidade esta Ponte é para a vila de grande importância no domínio comercial, constituindo um forte ponto de passagem, centro e eixo regional na direção do litoral.
Mas a esta bela ponte está também ligado um costume antigo das gentes do concelho de Ponte da Barca. É costume antigo, na ponte que atravessa o rio Lima entre Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, fazerem-se batizados à meia-noite. O ritual era procurado por mulheres cujos partos costumavam ser difíceis, os filhos nasciam mortos, ou morriam em poucas horas.
Comecemos pela descrição da cerimónia que, como todos os atos religiosos, tem o seu ritual necessário.
Numa das noites do último mês de gravidez, a mulher prostrava-se na meia laranja brasonada no centro da ponte, antes da meia-noite. Aí, esperava-se a passagem da primeira pessoa, que faria o batizado utilizando água tirada do rio com um púcaro de barro suspenso numa corda. Essa pessoa, que seria chamada de padrinho, deveria passar por acaso e não propositadamente depois da meia-noite e antes dele não podia ter passado fôlego vivo, cão ou gato, ou fosse o que fosse.
Então esse primeiro fôlego humano (não poderia ser cão nem gato, pois não tendo “alma” é óbvio que não a poderia fazer o batizado) faria o batizado. A cerimónia do batizado faz-se de forma simples: embebido na água, um ramo de oliveira, asperge-se por três vezes, o ventre da mulher, repetindo a fórmula: - Eu te batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Não se pode dizer «Ámen». Não se sabe bem por que razão, mas isso fica reservado ao padre, no outro batismo, depois do nascimento da criança. Também não se lhe põe nome, na impossibilidade de saber se será macho ou fêmea. Cumprido o ritual, o padrinho anima a mulher desejando-lhe uma boa hora no parto.
Finda a visita a Ponte da Barca, deixamos por um bocado o rio Lima para trás e seguimos viagem a caminho de Ponte de Lima, para ai lhe deixarmos um último adeus, a fim de encetarmos os quilómetros que faltavam para o final desta viagem, já em direção a casa.
No caminho ainda se parou para um lanche ajantarado numa área de serviço de autoestrada, na companhia de muitos peregrinos de Penafiel, que em excursão, vinham de Santiago de Compostela, e que tal como nós regressavam de um fim de semana alargado, voltando a casa.
Fontes: http://wikimapia.org/4240043/pt/Jardim-dos-Poetas; http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-ponte-da-barca-15596; http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas51/08_Barbara.pdf ;http://www.noivarte.pt/site_marlene/Geral%20site/Batizado%20da%20Meia%20%20Noite.html;http://comunidade.sol.pt/blogs/paz/archive/2008/02/29/BAPTIZADOS-DA-MEIA-NOITE.aspx ;http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-ponte-de-ponte-da-barca-14023
Ler mais sobre os tradicionais batismos da meia-noite no rio Lima em: http://www.lendarium.org/narrative/lenda-dos-baptizados-da-meia-noite/
Ponte da Barca - 4º Dia - Parte I
No
último dia deste fim de semana, acordámos tarde e depois de uma ligeira
refeição partimos do Parque de Campismo
de Entre Ambos-os-Rios a caminho de casa.
Durante
o curto caminho que separa Entre
Ambos-os-Rios de Ponte da Barca,
pode observar-se bem a beleza desta região. A região de Ponte
da Barca é um daqueles
lugares onde se pode admirar e sentir um Portugal diferente, mais eloquente e
original na sua personalidade geográfica.
Está parcialmente inserida no maravilhoso Parque Nacional da Peneda-Gerês, com
uma paisagem idílica, de verdes montes banhados por diversos cursos de água,
afluentes do Lima, que aqui e ali
proporcionam recantos únicos, onde abundam praias fluviais e onde todas as
razões se unem, para uma maior aproximação à natureza.
Naquele
dia como ainda era cedo, queríamos parar na vila de Ponte da Barca, para a visitarmos. Quando lá chegámos, a vila
parecia adormecida. Era hora de almoço e feriado.
Quando lá chegámos parámos primeiro no centro moderno da
vila, onde se vê o Largo do Hospital e o Largo da Câmara Municipal, bem como o
Jardim central com uma bela esplanada. Depois seguimos para a zona da Ribeira Lima, onde pode ser encontrado
um ótimo parque de estacionamento no Largo
do Côrro.
É ali que se encontram dois belos jardins. O jardim
situado em frente do Largo do Côrro
onde se encontra um belo Cruzeiro,
na margem direita do rio Lima, é o Choupal do Côrro, e depois da Ponte, encontramos o Jardim dos Poetas, a partir das arcadas
do Velho Mercado, acompanhando a
beira rio, para norte. E foi por ali que deambulámos naquele início de tarde.
Ponte
da Barca, magnificamente situada na margem direita do rio Lima tem no Jardim dos Poetas um sítio onde alguns monumentos principais da
vila se harmonizam perfeitamente com o rio, tornando-o num bom lugar para
descanso.
Este
jardim é sem dúvida nenhuma um
convite sorrateiro a um piquenique, à leitura e porque não, ao deixar que a
“pena” se aventure pela arte da poesia, tal como o fizeram dois dos filhos da
terra. já que parece que mais ninguém como eles o fez até hoje.
Debruçando-se sobre as tranquilas águas do rio Lima, entre o Pelourinho e algumas das mais belas moradias do centro histórico de
Ponte da Barca, o Jardim dos Poetas, foi assim chamado em
homenagem aos seus acarinhados irmãos poetas, dois vultos da poesia lírica
portuguesa de quinhentos, Diogo
Bernardes e Frei Agostinho da Cruz (poetas da paisagem, das fontes
e da saudade), que tão bem conseguiram deixar–nos como memória, a sua forma de olhar o Lima, com tanta delicadeza, simplicidade
e melancolia.
Vendo
Narciso em huma fonte clara,
A
sombra só da própria fermosura,
De
si vencido (Amor quis por ventura
Vingar
as Nimfas qu’elle desprezara.)
Todo
enlevado na beleza rara,
Que
seu peito abrasou em chama pura,
Chorando
disse, à sua vã figura,
Por
quem perdeo em fim a vida chara:
Ó
Ninfa destas agoas moradora´
Surda
em ouvirme, muda em responderme,
Não
ves a quem não ouves, nem respondes?
Não
ves que sou Narciso? Ay que por verme,
Mil
Nimfas d’ outras fontes saem fora,
E
tu por não me ver, nesta t’ escondes.
Diogo Bernardes, Soneto CXXVII
O Jardim dos
Poetas é sobretudo um lugar de paz e encanto bucólico, onde coabitam a
candura da água e o verde característico da região, com os seus muitos bancos
de pedra e as convidativas sombras das árvores.
O
mundo é sonho vão, que enleia a vida,
Quem nele está melhor, tem pior alma
E quem o desprezou, tem alma e vida.
Quem nele está melhor, tem pior alma
E quem o desprezou, tem alma e vida.
Frei Agostinho da Cruz
Ler mais sobre o Soneto CXXVII, de Diogo Bernardes sobre o Mito de Narciso em: http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas51/08_Barbara.pdf
Ler mais sobre as obras de
Diogo Bernardes e de Frei
Agostinho da Cruz em:
Lindoso - 3º Dia - Parte V
Olhando as calmas águas da Albufeira do Alto Lindoso e as serranias em seu redor, percebemos rapidamente que não se deve abandonar de ânimo leve aquelas paragens de ampla e singular beleza, já que as serras portuguesas do Soajo e do Lindoso e a serra espanhola de Santa Eufémia constituem um magnífico e imponente cenário de enquadramento ao espelho de águas azuis da barragem.
Foi
precisamente por isso que seguimos até a zonas mais altas para melhor vermos
esse belo enquadramento. Da Barragem do
Alto Lindoso à aldeia do Lindoso
é um pulinho.
Sobranceira
à barragem e a olhar de terras altas a albufeira que se estende a montante, a aldeia do Lindoso é um lugar pitoresco
onde sobressaem os tons graníticos que tão bem se misturam com os tons da
serra.
Situada
a cerca de 25 quilómetros da vila de Ponte da Barca, esta aldeia promete
sempre ao visitante um agradável passeio entre o verde da natureza e o azul do rio Lima.
Lindoso é
um topónimo de origem italiana, possivelmente de uma família que se mudou para
Portugal em 1245, em plena Idade Média. Lindoso
deriva do latim 'Limitosum',
aparecendo pela primeira vez nas inquirições de 1258.
Contudo há uma lenda que nos
fala de uma visita ao Lindoso, do
rei de Portugal, D. Dinis, que
quando ali chegou o achou "tão alegre e primoroso, que logo
lindoso o chamou", facto que o levou a fazer várias visitas ao Castelo de Lindoso, tendo-o mandado
reconstruir em 1278.
No
aglomerado da aldeia que tão bem se mistura na serrania, sobressai o Castelo
de Lindoso, altaneiro em relação ao povoado
que desce em anfiteatro a meia encosta, do qual se vislumbra uma sublime
paisagem sobre a albufeira do Lindoso,
e umas boas dezenas de espigueiros.
Os
espigueiros são o seu ex-líbris, reveladores
da importância do trabalho coletivo, muito próprio das comunidades de montanha
daquela região.
O
Pelourinho, o Cruzeiro do Largo do Destro e a Igreja Matriz são aquilo que mais
chama a nossa atenção na pequena aldeia. Mas a aldeia ainda possui outra
importante função, pois é uma Porta do
Parque Nacional do Parque da
Peneda-Gerês na zona do Lindoso.
O
Castelo de Lindoso é um monumento
com funções defensivas e que assumiu particular importância no período de
conflitos militares com Castela, na
defesa da fronteira portuguesa.
Desde
sempre relacionado com a defesa da portela da Serra Amarela e Vale de
Cabril, foi o Castelo do Lindoso
fundado nos inícios do séc. XIII, pois já aparece referido nas Inquirições de
1258.
Nas
Guerras da Restauração, séc. XVII,
assumiu uma grande importância pela sua localização fronteiriça. Mais tarde, em
1662, foi ocupado pelos Espanhóis na sequência dessas guerras, sendo ampliado
com uma muralha do tipo Vauban, em
forma de estrela pentagonal. Dois anos depois o Castelo voltou a ser recuperado
pelos portugueses, ficando a partir daí ocupado por guarnições militares ao
longo do séc. XVIII, até que, em 1895, foi desativado. No seu interior, as
muralhas, as casas do alcaide e da guarnição, a capela e o forno, entre outros,
foram recentemente restaurados.
Numa
posição dominante sobre a aldeia, proporciona paisagens panorâmicas soberbas
para a Albufeira do Lindoso.
Desce-se
a serra e toma-se o caminho de Ponte da
Barca, seguindo pela estrada que segue o rio Lima, que corre à direita. No caminho, na proximidade de Entre Ambos-os-Rios, fizemos um pequeno
desvio para uma visita à Barragem do
Touvedo. Esta, fica a cerca de 20 quilómetros a jusante de Lindoso e a sua principal função é a
produção de energia elétrica e também o controlo do caudal do rio que é
aumentado pelo trabalho das turbinas da Barragem
do Alto-Lindoso.
Chegados
a Ponte da Barca aproveitamos para
comprar vinho verde num supermercado da vila, e como já se fazia tarde
encaminhamo-nos para o jantar, num restaurante onde se servisse boa comida
regional.
A procura foi fácil, uma vez que praticamente em
frente do supermercado, o Restaurante
Alto da Prova chamou a nossa atenção em boa hora. Simples, rústico e
espaçoso, fica situado num alto, a ver a vila e serve muito bem, onde se
destaca o Bacalhau à Prova, uma
delícia, a Posta Mirandesa e o Leitão Assado no Forno de Lenha.
Fontes:http://pt.wikipedia.org/wiki/Barragem_de_Touvedo;http://www.aldeiasdeportugal.pt/PT/aldeias.php?aldeiaid=10001 http://escape.expresso.sapo.pt/boa-vida/roteiros/natureza-no-alto-minho-passeio-aldeia-lindoso-16556381;
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lindoso;
Educação é Tudo
"Se fosse ensinar a uma criança
a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos, as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos, as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".
Rubem
Alves
Hoje
trago aqui uma entrevista com Rubem
Alves, filósofo, educador, psicanalista, teólogo, poeta e
escritor brasileiro, que é autor de livros e artigos abordando temas
religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.
A
sua mensagem é direta e, por vezes, romântica, explorando a essência do homem e
a alma do ser. É algo como um contraponto à visão atual de homo globalizatus
que busca satisfazer desejos, muitas vezes além de suas reais necessidades.
"Ensinar" é descrito por Rubem Alves como um ato de alegria, um
ofício que deve ser exercido com paixão e arte. É como a vida de um palhaço que
entra no picadeiro todos os dias com a missão renovada de divertir.
Ensinar é fazer aquele
momento único e especial. Ridendo dicere severum: rindo, dizendo coisas
sérias. Mostrando que esta, na verdade é a forma mais eficaz e verdadeira de
transmitir conhecimento. Agindo como um mago e não como um mágico. Não como
alguém que ilude e sim como quem acredita e faz crer, que deve fazer acontecer.
"Enquanto
a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."
Rubem Alves
Fonte: http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp; http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Alves
“Aquilo que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”
A duração da
crise, a intensidade da confusão e a dificuldade em compreender o processo de
decisão do Presidente, ajudaram decisivamente a criar a ideia de que as
eleições estavam ao virar da esquina.
No final (?) de
quatro semanas loucas, qualquer pessoa tem razões de sobra para duvidar da
solução. Mas com um pouco de frieza percebe-se que o novo modelo do Governo, os
nomes que o integram e o grau de compromisso que os dois partidos foram
obrigados a assumir, transforma o Governo remodelado numa solução para dois
anos. Se lá chega ou não, é outra questão, mas que tem esse horizonte, isso
parece-me óbvio. Este dado não muda rigorosamente nada nas questões de fundo: a
dramática austeridade, a irrealidade das metas orçamentais, as profundas
diferenças entre PSD e CDS e as irremediáveis desconfianças de Passos sobre
Portas e vice-versa.
Um Governo que
nasceu torto nunca se endireita mesmo. E um Governo que transformou a
austeridade e os cortes num modo de estar não ganha eleições. Mas pode fazer
todo o mandato. PSD e CDS perceberam isso, nem que seja pelo mais básico
instinto de sobrevivência. A oposição devia perceber isso. Como dizia o António
Vitorino, por razões bem diferentes, "habituem-se".
Ricardo Costa, in Jornal Expresso de 25 de Julho de 2013
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Cécile Kyenge, ministra
italiana da Imigração, tem sido alvo dos actos mais abjectos. Há dias, Roberto
Calderoli, vice-presidente do Senado, chamou-lhe orangotango. Na passada
sexta-feira, atiraram-lhe bananas. Estes actos definem,
naturalmente, apenas e só quem os pratica. A barbárie vem à superfície, desta
vez, por Cécile Kyenge ser negra. A ministra da Integração poderia ter
respondido, por exemplo, citando Simone de Beauvoir: não podemos deixar que os nossos carrascos nos
criem maus hábitos. Poderia e teria razão para isso. Todavia,
Cécile Kyenge preferiu outro caminho. A citação seria um mero recurso retórico.
Cécile meteu o discurso na realidade: com
tantas pessoas a morrer de fome por causa da crise é triste desperdiçar comida
assim. O sentido democrático e a maturidade cívica também são isto.
O desapego de si, da sua posição formal como ministra e a sensibilidade que
permite pensar em terceiros mesmo sob fogo cerrado. Acossada, não se defendeu a
si própria, mas remeteu para o sofrimento de outros, ridicularizando assim,
ainda mais, o gesto obsceno dos que a pretendiam ofender. Na resposta, Cécile
foi simplesmente Cécile. Trata-se, obviamente, de uma chapada de luva negra que
estalou na face dos energúmenos. Mas é, também, um exemplo para quem, a uns
milhares de quilómetros de distância, ainda há umas poucas semanas, com
altivez, desvio corporativo e insuflado sentido da própria honra, citou
Beauvoir para chamar carrascos,
de forma absolutamente desproporcionada, aos cidadãos que se manifestaram nas
galerias da casa que se diz ser a da nossa democracia.
Rui
Rocha, in http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/
em 27.07.13
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