São João da Pesqueira - 6º Dia - Parte I



Na manhã seguinte o acordar foi muito calmo e embora estivéssemos a cerca de 150 m do centro histórico, durante a manhã viam-se muito poucas pessoas na rua.
A autocaravana ficou estacionada junto a um varandim, próximo do Quartel dos Bombeiros com vista sobre as belas paisagens serranas, numa sucessão de leves encostas rasgadas em socalcos, que os homens desenharam ao longo do tempo com o seu labor e que surpreendem pela perfeição e grandeza da paisagem. Para além das belíssimas paisagens com vinhedos como marca dominante, não faltam por ali em especial na Páscoa, as amendoeiras e os laranjais em flor.  
O tempo também melhorou para o final da manhã o que favoreceu uma visita tranquila ao núcleo histórico de São João da Madeira, situado ali bem próximo e que se desenvolve à volta da bonita e silenciosa Praça da Republica.

Caminha-se então para o centro histórico e logo ao virar à esquerda pela rua Francisco José Bernardes encontramos logo mais à frente a Praça da República. Nesta praça podemos contemplar um harmonioso conjunto de património histórico monumental, recuperado a nível de fachadas e pavimento. Destaca-se ali a belíssima Capela da Misericórdia com uma fachada barroca revestida com dois painéis de azulejos representando “Cristo e a Samaritana” e “Cristo curando um enfermo”.

É à volta do terreiro da Praça da República que encontramos a Capela da Misericórdia de fachada barroca, o Arco, encimado pela Torre do Relógio (no local da torre medieval da cerca defensiva), e a Arcada ou Arcaria (séc. XVIII) que serviu de mercado noutros tempos.
A Capela da Misericórdia foi outrora privativa da família ilustre de D. Luís Alvares de Távora, senhor da vila, que a ofertou mais tarde e como o próprio nome indica, à Misericórdia local. Outro dos atrativos é também o Arco, a Torre do Relógio e a Arcada do séc. XVIII, que serviu de mercado.
Do lado oposto à capela encontra-se o edifício dos antigos Paços do Concelho e da Cadeia (onde está atualmente instalado o interessante Museu Eduardo Tavares), cuja frontaria é emoldurada com o brasão das quinas e, por baixo, observa-se uma placa oval alusiva à construção da casa da Câmara, Cárcere e Torre do Relógio e Arcada, pela rainha D. Maria I, em 1794. Atualmente este edifício serve de Posto de Turismo e alberga o Museu Eduardo Tavares.

Ali na Praça da República fica também situada, numa esquina com a rua Doutor Paradena de Oliveira, a Casa Alves, que além de ter uma simpática esplanada a olhar o espaço monumental, é um sossegado café e lugar de venda de produtos da região, onde se compra vinho do Porto tinto do produtor de excelente qualidade.

Depois da compra do vinho do Porto tinto, caminha-se pela rua do Arco até à Travessa dos Gatos e nela se acede à rua dos Gatos.
A Rua dos Gatos foi a rua onde nasceu a antiga povoação de São João da Pesqueira. Pensa-se que teve origem numa inicial ocupação árabe e é, hoje, um autêntico ex-libris da vila medieval. Possui uma estruturação do espaço que remonta àquela época e que outrora incluía uma judiaria (local onde viviam os judeus, que eram desligados da população e que na sua grande maioria eram negociantes) e um arruamento onde viviam judeus e cristãos novos.
São João da Pesqueira é uma terra que se orgulha de deter o Foral mais antigo de que há memória, anterior à criação da Nacionalidade Portuguesa, e nos vários forais que recebeu ao longo do tempo, é mencionada a pesca como atividade fundamental das suas gentes.
Fonte: http://www.sjpesqueira.pt/ http://www.guiadacidade.pt/ http://viajar.clix.pt/ http://www.sjpesqueira.pt/

Caravaggio (1571 – 1610)


Milão, 29 de setembro de 1571 -- Porto Ercole, Monte Argentario, 18 de julho de 1610
Michelangelo Merisi da Caravaggio, foi um pintor Italiano atuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É normalmente identificado como um artista Barroco, estilo do qual foi o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal da sua família, que adotou como seu nome artístico.
Caravaggio, procurou a realidade palpável e concreta da representação. Utilizou como modelos figuras humanas, sem qualquer receio de representar a feiura e a deformidade, características das suas obras. Todo isso chocou os seus contemporâneos, em especial pela rudeza das suas pinturas. Foi também neste período que surgiu o tenebrismo, onde os tons terrosos contrastam com os fortes pontos de luz. A pintura barroca caracteriza-se, pela irracionalidade, exuberância, contrastes cromáticos, dramatismo…
Este é o primeiro de vários documentários realizados pela BBC, subordinados ao tema “O Poder da Arte e que nos revelam a vida e obra de alguns dos grandes mestres da Arte Universal.



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caravaggio / http://www.youtube.com/

Como a Arte moldou o Mundo

Existe uma imagem que domina o mundo contemporâneo como nenhuma outra: o corpo humano. "Como a Arte moldou o Mundo" viaja desde o mundo moderno da publicidade aos templos da Grécia clássica e túmulos do antigo Egito para desvendar o mistério por trás do motivo pelo qual os humanos se rodeiam de imagens do corpo que são tão irreais.

Enquanto o retrato nu e a escultura têm predominado ao longo dos séculos, há uma coisa que está bem clara, é que as imagens mais marcantes que observamos em arte, não são retratos muitas vezes realistas do corpo humano.
Os cientistas notam que isso é mais provável, devido a um comando de nosso cérebro, que nos leva a concentrarmo-nos nos aspetos mais agradáveis ​​do que vemos, para criar. Portanto, a maioria das obras dos que fazem arte são muitas vezes, um conjunto daquilo que eles encontraram de mais agradável na hora das suas criações.
No entanto, suas obras continuam a encantar-nos, e assim, de certa forma, eles capturaram uma humanidade que transcende algo tão concreto como uma fotografia e persiste como uma imagem da humanidade que desmente o funcionamento interno da mente humana.
Este é mais um conjunto de belíssimos documentários oferecidos pela BBC, subordinados ao tema "Mais humano que o humano", que nos explicam "Como a Arte moldou o Mundo”. Vale a pena ver!...
Fonte:http://www.youtube.com/playlist?list=PL6C7C3889E022288A

Chegada a São João da Pesqueira - 5º Dia - Parte V

 
Chegados à vila de São João da Pesqueira, que é considerada o coração do Alto Douro Vinhateiro, pela hora de jantar, fomos de imediato procurar um lugar para a pernoita, o que não foi difícil uma vez que é uma terra pequena e muito sossegada onde é fácil encontrar bons lugares que convidam a um bom descanso.

Na procura desse lugar há a destacar a passagem, antes de se chegar ao centro da vila, pela belíssima Casa do Cabo, um palacete brasonado, uma das muitas casas senhoriais existentes no Alto Douro Vinhateiro, que demonstram bem a tradicional riqueza desta região.


Era Sexta-Feira Santa e as famílias supostamente e como é tradição em Portugal, deviam de estar reunidas jantando o tradicional bacalhau, deixando para o domingo de Páscoa, o também tradicional cordeiro pascal.
O nosso jantar foi realizado na autocaravana e seguido de um breve passeio ao centro histórico da vila. Depois o repouso no quentinho do interior da autocaravana destinado à leitura, enquanto no exterior lá pelas 23h00 começava a cair uma chuva insistente.
 
A noite estava escura e sem estrelas, mas no lugar de pernoita, junto de um varandim a ver as serranias no terreno situado um pouco abaixo do nível da estrada, pastava um rebanho de ovelhas, que nos embalaram durante a primeira parte da noite, com a leve melodia do tilintar dos seus guizos.


Já em hora tardia essa melodia deixou de se ouvir, significando que as ovelhas já estavam deitadas na pastagem. Abri a janela e vi na obscuridade os pequenos pontos brancos salpicando o lugar.
Uma brisa fria fazia-se sentir, e pensei... O que fizeram estes animais fofos, meigos, obedientes, tranquilos e tão úteis, para merecerem uma noite ao relento? Não sendo esta sua situação suficiente, uma chuva persistente não parava de cair e as infelizes ovelhas ali continuaram espalhadas um pouco por todo o terreno, aguentando a noite molhada e gélida, sem um telheiro para se recolherem.
 
Onde estava o pastor que cuida delas e não dorme nunca? Não deveria ser ele e a música da sua flauta, que as deveria acompanhar? Não, nos dias de hoje é o carro que dorme sob telheiro e nem em época pascal as ovelhas e seus cordeiros têm o direito ao respeito, que deviam merecer pela companhia, o leite e a própria pele e carne que nos dão.


São João da Pesqueira é uma bonita vila da Região Norte do País, pertencente ao Distrito de Viseu e sede de município, situada num local de grande beleza natural, por entre os férteis vales do rio Douro, e localizada da importante Região Demarcada do Douro, e também um dos centros de produção do afamado vinho do Porto, além de outros vinhos finos de prestígio internacional.
Esta bonita vila tem as suas origens muito antes da formação da nacionalidade portuguesa, com uma situação geográfica estratégica para a produção e recolha de alimentos, com a proximidade do grande rio Douro e rodeada de férteis terras.

 
O seu topónimo “Pesqueira” virá talvez de uma primitiva comunidade pesqueira e agrícola que ali se terá outrora desenvolvido. Crê-se, que, pela sua localização, a primeira fortaleza tivesse consistido num castro lusitano, que teria sido aproveitado posteriormente pelos romanos.

 
Consta que quando D. Afonso III de Leão encontrou a fortaleza arrasada e a povoação erma de habitantes, mandou construir ali um castelo medieval, no ano de 900. 
 

Ao longo dos tempos, e com uma situação privilegiada na margem do Douro, São João da Pesqueira foi-se desenvolvendo e ali terá mesmo vivido enquanto novo o Marquês de Pombal, responsável mais tarde pelo desenvolvimento da atividade vinícola da região.


Fonte: http://www.guiadacidade.pt/ Wikipédia.org

Pinhão - 5º Dia - Parte IV




Chegados ao Pinhão ao final da tarde parámos no Café Veigas, no Largo da Estação, mesmo em frente da Estação de Caminho-de-Ferro, onde habitualmente compramos o vinho do Porto branco e onde se pode degustar sempre vinho do produtor de grande qualidade.
 

Pinhão é uma vila rica de belas paisagens, pois fica situada junto da confluência do rio Pinhão (afluente) com o rio Douro. A primeira vez que visitámos esta bela vila, já foi há muitos anos atrás, quando realizámos o primeiro cruzeiro subindo o rio Douro, até ao Cachão da Valeira (o lugar onde morreu o Barão de Forrester, de nome Joseph James Forrester, quando se encontrava hóspede de D. Antónia Adelaide Ferreira e que veio a encontrar a morte quando o barco em que se faziam transportar, se virou numa viagem de recreio).


O Cachão da Valeira fica situado a apenas 1 Km, a montante da Barragem da Valeira, e é um impressionante estrangulamento do rio Douro, entre enormes fragas abruptas que faziam precipitar as águas numa queda de 7 metros de altura e que só é possível visitar de barco.
A base económica do Pinhão é o vinho e ali se produzem os melhores vinhos generosos de toda a região vinícola do Douro, encontrando-se também ali sediadas algumas das mais importantes Quintas do Douro. Devido à sua localização geográfica, tornou-se num importante entreposto comercial, sobretudo para o transporte do vinho do Porto, que antigamente se fazia nos barcos “rabelos” e que mais tarde, com o aparecimento do caminho-de-ferro, passou a ser expedido e comercializado através do comboio.


O turismo constitui atualmente uma fonte importante de riqueza e é habitual encontrarmos nos cafés do Pinhão muitos estrangeiros, que ali vão para sentir de perto a vila que historicamente é o ponto fulcral da produção do vinho do Porto. Através do rio, também por ali passam centenas de turistas vindos dos cruzeiros que anualmente navegam pelo rio Douro.
Em termos patrimoniais, destacam-se a Igreja da Nossa Senhora da Conceição com um cruzeiro e uma pequena capela e a Estação de Caminho-de-Ferro que é também um lugar de visita imperdível, uma vez que se encontra ornamentada por azulejos oitocentistas, autênticos retratos da faina duriense.


Mas ali também não devem deixar de observar-se, a bela ponte rodoviária sobre o rio Douro, a ponte metálica ferroviária, a ponte romana sobre o rio Pinhão, o barco rabelo fundeado no porto, as quintas e os velhos solares que atestam a riqueza proporcionada pela produção do vinho do Porto, e sobretudo as belas paisagens durienses que convidam os visitantes a voltar sempre.
A paisagem envolvente é de uma beleza única, devido em grande parte à sua situação idílica, numa encosta do vale do douro, descendo em desníveis para o rio, rodeada de vinhas, laranjeiras e amendoeiras, com uma vista cinematográfica sobre o encantador Douro e rodeada de uma natureza envolvente.
 
 
Depois de uma volta à vila que aquela hora já se encontrava quase adormecida, seguimos viagem com rumo a São João da Pesqueira, onde iriamos pernoitar.
Passa-se novamente a ponte rodoviária sobre o Douro e desce-se a margem esquerda do rio até à povoação de Bateiras, onde está situado o cruzamento com a estrada nacional que nos leva até São João da Pesqueira. Pelo caminho e antes de anoitecer totalmente, a subida da serra faz-nos apreciar a fabulosa e esmagadora beleza o vale do Douro visto lá de cima.



Fonte: http://sjoaodapesqueirafotografia.fotosblogue.com/ http://turismo.cm-alijo.pt/ http://www.guiadacidade.pt/ http://www.casatorresoliveira.com/

De Peso da Régua ao Pinhão - 5º Dia - Parte III




A chegada ao Peso da Régua já para o final da tarde, ainda encontrou todos os estabelecimentos comerciais abertos, o que nos proporcionou as habituais compras de pão de centeio e de saborosos enchidos do norte, que ali se podem comprar nos talhos da marginal.
De todos estes, a minha preferência recai nas saborosas alheiras, nascidas em Trás-os-Montes. Diz a lenda que foram inventadas pelos judeus, que no tempo da Inquisição e para fugirem às perseguições, faziam enchidos que eram maioritariamente feitos com carne de porco.
 

Os judeus ao confecionarem as alheiras iludiam os cristãos e as autoridades eclesiásticas, comendo as alheiras que todos suponham serem chouriços de carne de porco, quando na realidade para as fazerem utilizavam carne de aves de caça, galinha caseira e pão. Hoje em dia, as alheiras já são convencionadas com outro tipo de carne inclusive carne de porco, carne de javali e até bacalhau...
Depois a viagem continuou sem mais demoras uma vez que ainda queríamos chegar de dia ao Pinhão, para a compra habitual de vinho generoso branco, o melhor aperitivo do mundo, quando bebido bem fresquinho.

Lá vai ficando a Régua para trás com as suas três pontes altaneiras. Momento interessante, este, o passar junto aos pilares fortes e altos destas três obras de engenharia. A cidade e o movimento da marginal da Régua desaparecem, como que espontaneamente. Em Juncal de Baixo atravessa-se o rio e o percurso feito pela estrada acompanha o rio, seguindo pela marginal desde a Régua ao Pinhão, obrigando a uma condução quase em jeito de passeio.
As belas paisagens surgem a cada instante, como em qualquer parte do vale do Douro. E mais uma vez a encantadora simbiose nos espanta, numa perfeita harmonia entre o enorme rio que vai desaguar à cidade do Porto, os montes adoçados e os vinhedos. É uma delícia para quem quer que por ali passe. Em Juncal de Baixo atravessa-se o rio e o percurso feito pela estrada acompanha o rio, seguindo pela marginal desde a Régua ao Pinhão, obrigando a uma condução quase em jeito de passeio.

As belas paisagens surgem a cada instante, como em qualquer parte do vale do Douro. E mais uma vez a encantadora simbiose nos espanta, numa perfeita harmonia entre o enorme rio que vai desaguar à cidade do Porto, os montes adoçados e os vinhedos. É uma delícia para quem quer que por ali passe.
Quanto às amendoeiras, encontram-se um pouco por toda a parte, em especial no Douro Superior, e que a partir de finais de fevereiro até ao início de abril, formam no seu conjunto, um dos espetáculos naturais mais bonitos do nosso país.

O grandioso rio vai espelhando reflexos fiéis das margens. Do outro lado da margem, Covelinhas, uma aldeia no sopé da montanha, que só a passagem do comboio lhe faz reparo.
Mais à frente uma grande diversidade de quintas vão aparecendo a meia encosta, quer do lado direito, quer do lado esquerdo, sendo neste em maior número.


Lá mais para montante observa-se a Quinta de Santo António, já no concelho de Tabuaço, no alto de Santo António da freguesia de Adorigo, muito privilegiada em estar de face virada para o rio.
À beira da estrada visualizam-se muitas tabuletas com as indicações “vende-se vinho” e “vende-se azeite biológico”, num chamariz sedutor à compra das iguarias da região.
 
No lugar onde o rio faz uma apertada curva à esquerda, o Pinhão aparece logo mais à frente, do outro lado da margem. Passa-se para a margem direita numa antiga ponte de ferro, assente sobre pilares largos e robustos e quando chegamos, sente-se logo ali uma certa magia, não estivéssemos nós no epicentro da mais antiga região demarcada do mundo, considerada Património Mundial pela UNESCO.


Fonte: http://www.cp.pt/ http://maps.google.pt/ http://valores-beira-alta.blogs.sapo.pt/ http://quintadaribeira.blogs.sapo.pt/

De Mesão Frio ao Peso da Régua - 5º Dia - Parte II



A partir da entrada para a Quinta do Solar da Rede, desce-se a encosta em estrada estreita, por vezes de curvas acentuadas até à margem direita do Douro. Uma vez ali a estrada acompanha o rio e rola-se devagar por terras de Ribadouro.
Daí para cima deve-se apreciar de preferência com olhos de ver, aqueles pendores que ladeiam o rio e que formam o vale mais profundo, mais peculiar e mais encantador de todos os vales de Portugal.
As povoações sucedem-se apertadas entre a margem do rio e as encostas vinhateiras. Eido, Ribeira da Rede, Rede, Quinta do Reimonde. A partir de Quinta do Reimonde, acaba o descer da estrada e encontra-se o rio Douro, que bem perto corre.
A partir dali a estrada acompanha o rio, quase sem curvas e a partir da povoação de Bebereira, segue-se o rio pela sua margem direita até à Régua.
Dali de baixo temos a nítida sensação de estarmos a observar uma autêntica obra-prima, realizada pela natureza em conjunto com o esforço humano de muitas gerações, que com o seu suor foram modificando aos poucos as encostas deste vale, realizando uma imensidão de socalcos, cultivados com inúmeras cepas, que nos contam uma aventura de três séculos de trabalho e paixão pela terra.
Ao longo de gerações, multidões de homens desventraram o solo, remexeram o xisto, elevaram fileiras de socalcos e plantaram vinhedos, para que dele nascesse o tão afamado Vinho do Porto.

Na mais antiga região demarcada do mundo os durienses empenharam a alma e o corpo em sucessivos Verões e Invernos, cuidando a terra, tratando a vinha para no início do Outono, fazer a vindima. Nesta época passam dias e noites a fio, cortando os cachos, transportando cestos e pisando os bagos, nos lagares entre risos, cantigas e concertinas afinadas.
Lá em baixo junto ao rio, o cenário é esmagador e sentimo-nos muito pequeninos, rodeados por uma paisagem grandiosa, que une o rio, as vinhas e a sua história milenar.

Passamos depois por Granjão, e em seguida aparece-nos Caldas de Moledo, que nos tapa por instantes o correr do rio. Caldas de Moledo é uma povoação que sobe a encosta desde o rio até à estrada e como o próprio nome indica, situam-se ali umas termas com águas mineromedicinais.
O parque das caldas é um surpreendente espaço arborizado por enormes plátanos, formando um largo terraço sobre o Douro, obra dos tempos da famosa Ferreirinha (D. Antónia Adelaide Ferreira, empresária vinhateira portuguesa, que nasceu em 1811, e que ficou famosa por se ter dedicado ao cultivo do vinho do Porto, introduzindo notáveis inovações), que aqui tinha o seu palacete, separado deste parque pela estrada da Régua para Amarante.
 

No interior deste parque, fechado por um gradeamento e monumentais portões do séc. XIX, encontra-se o edifício do balneário e também o edifício chamado das Piscinas. É notoriamente um lugar de repouso e silêncio que se não curar males físicos, curará por certo os “espirituais”.
 
Deixam-se as caldas e um pouco mais adiante, empoleirada na encosta, chama a nossa atenção a pequena povoação de Cederma. No caminho, agora já bem próximo da Régua, ainda passamos por Salgueiral e Olival Basto, que antecedem a chegada à cidade de Peso da Régua.

Fonte: http://www.douronet.pt/ http://www.aguas.ics.ul.pt/ http://viagem-historiamovimento.blogspot.pt/ Google maps

Amadeu de Souza-Cardoso


"Eu não sigo escola alguma. As escolas morreram. Nós, os novos, só procuramos agora a originalidade. Sou impressionista, cubista, futurista, abstracionista? De tudo um pouco."
Amadeu de Souza-Cardoso

 
Mais uma vez a Google nos chama à atenção para a comemoração do 125º aniversário de Amadeu de Souza-Cardoso (Manhufe, Amarante, 14 de novembro de 1887 - Espinho, 25 de outubro de 1918).

Em jeito de homenagem, aqui ficam 2 vídeos com imagens da vida e obra daquele que foi o primeiro pintor modernista português, prosseguindo o caminho traçado pelos artistas de vanguarda da sua época. Embora tendo tido uma vida curta (31 anos apenas), a sua obra tornou-se imortal.



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Z9TjvHXG1F0&feature=autoplay&list=PL7BF09AA2867537E1&playnext=6

De Amarante a Mesão Frio - 5º Dia - Parte I



Deixamos a formosa cidade de Ribatâmega e rumamos à Régua, em direção a Mesão Frio pelas estradas nacionais, que fazem as serranias.
A estrada nacional passa pelas serranias do interior e vales belíssimos de Baião. São paisagens de suster a respiração. Entre as encostas do rio Douro e os cumes rochosos da Serra do Marão, Baião é o concelho mais interior do distrito do Porto e também o de carácter mais marcadamente rural.
A estrada nacional fica enquadrada na serra do Marão e faz a ligação entre os concelhos de Marco de Canavezes a oeste, Amarante a norte, Mesão Frio e Peso da Régua a este.
A paisagem vai oferecendo panoramas deslumbrantes das grandes serras e vales tranquilos, por onde serpenteiam rios e ribeiras, com passagem por pequenas aldeias tradicionais, com belíssimos solares rústicos dos séculos XVII e XVIII, que exibem brasões de armas de secular granito, que o musgo retoca e mais envelhece.
De todas as casas senhoriais destaca-se a Casa de Tormes, do séc. XVIII, onde o escritor Eça de Queiroz viveu durante algum tempo e o Solar da Rede, a meia encosta de quem desce de Mesão Frio até ao rio. É uma bonita casa senhorial, que domina uma quinta empoleirada na encosta norte do vale do Douro, onde é possível fruir de belíssimas panorâmicas sobre o vale e cujas terras plantadas com castas do vinho do Porto, vai descendo em socalcos até ao rio. É um lugar ótimo para se parar e descansar, tomar um cálice de vinho do Porto, antes de se prosseguir viagem.
O Solar da Rede é hoje uma Pousada de Portugal onde já estivemos hospedados há alguns anos, durante um fim de semana, quando colecionávamos estadias nas Pousadas Nacionais Portuguesas em tempos de “vacas gordas”, quando ainda era possível pernoitar a bons preços nestas casas e que hoje nos apresentam preços proibitivos, sendo no entanto possível visitá-las sempre que por elas se passa.
Para além dos solares, em todas as freguesias por onde se passa, levantam-se singelas e antigas igrejas e ermidas, e pelo caminho vão-se vendo aqui e ali rústicas esculturas, terras cultivadas em socalcos, alfaias agrícolas, nichos com santos, fontanários e outras obras de arte.

Longe da poluição e agitação das grandes cidades o sossego e a tranquilidade destes caminhos, são sobretudo um reconfortante reencontro com a natureza no que de mais autêntico e singular ela tem, representando para nós viajantes uma experiência única.

Entre montes e vales de vegetação densa, em caminhos surpreendentes e pouco explorados pelo turismo, encontramos belíssimos recantos para repouso e miradouros de uma beleza ímpar, que nos proporcionam momentos inesquecíveis.
Entrados em Mesão Frio aparece-nos a região dos vinhedos, típica do Douro, onde dezenas de pessoas labutam todos os anos em setembro, na época da vindima. Nessa época, na tradicional apanha das uvas, carregam-se cestos com uvas, que depois são levados às costas por homens. São cada vez mais raros os lagares onde antigamente se fazia a pisa das uvas, para obtenção do mosto, que após envelhecimento em cascos de carvalho irá resultar no magnífico vinho do Porto.
A pequena povoação de Mesão Frio fica situada no cimo dos contrafortes rochosos que descem num vasto anfiteatro voltado ao Douro. É um local de miradouro natural, que até onde a vista alcança, nos vai mostrando as depressões profundas e os vales alinhados, as formas planálticas de relevos adoçados e quase uniformes na feição inconfundível da sua grandiosidade, num cenário perfeito para os amantes da natureza em estado puro. É um local onde o espaço imenso, repousa num imenso silêncio.
Fonte: http://artigos.netsaber.com.br/ http://www.etc.pt/ http://ribadouro.jfreguesia.com/ http://www.mesaofrio.com.pt/

Auguste Rodin

No dia em que a Google assinala o 172° aniversário do grande escultor francês Auguste Rodin (12 de novembro de 1840 - 17 de novembro de 1917), proponho uma visita ao Museu Rodin em Paris. Boa visita.