Era nossa intenção conhecer a cidade de bicicleta, uma vez que
Padova é uma cidade plana, à beira rios, sendo por isso muito aprazível pedalarmos por ela. Como as bicicletas já não estavam na nossa posse, resolvemos conhecer a cidade de autocarro turístico, uma solução prática, fácil e cómoda, não sendo contudo a da nossa preferência.

Assim sendo, apanhámos o autocarro turístico na
Piazza del Santo e fomos conhecer o resto da cidade de
Padova. O autocarro encaminhou-se a partir da
Piazza del Santo, para a zona ribeirinha ao
rio Brenta, seguindo pela
Riviera del Businello.
Padova possui dois rios, o
Bacchiglione, que a atravessa e o
rio Brenta, que a circunda. É importante falar dos rios da cidade pois era através deles que a população viajava até
Veneza e vice-versa.

Desde 1500, no verão, quando a cidade se tornava demasiadamente quente, as famílias ricas de
Veneza deixavam os seus palácios no
Grande Canal e navegavam com elegantes gôndolas, para as suas residências de verão situadas ao longo do
Rio Brenta. Quando chegavam a
Fusina, na zona de aluvião no lado continental da
Laguna de Veneza, trocavam de embarcação usando a partir dai
“o Burchiello”, um típico barco da Riviera do
rio Brenta e subiam o rio em direcção a
Padova. Como se navegava contra a corrente, os barcos eram puxados com velas e cavalos, na sua navegação ao longo do rio.
Chegando assim às suas casas de verão, construídas por arquitectos de renome da época, como
Andrea Palladio e
Scamozzi Vincenzo, passavam o verão no campo, como era costume na época. Além de acompanharem as colheitas e a preparação das terras para um novo cultivo, organizavam festas e danças, bem como peças teatrais, até chegar o Outono.

Ao longo dos séculos muitos homens famosos como
Goethe,
Casanova,
D’Annunzio,
Lord Byron, músicos, pintores e cantores famosos daquele período, passavam as férias nestas casas, entretendo-se de festa em festa. Ainda hoje existem mais de duzentas moradias antigas com seus parques, que foram construídos entre os 1500 e 1800, sobre as margens do
Canal do Brenta, de
Padova até
Fusina.
Deixando a margem esquerda do
rio Brenta, o autocarro segue pela
Riviera Tito Livio até à
Piazza Antenore, do lado direito. À direita da praça fica o
Palazzo della Prefettura di Padova e sede
della Provincia (sede do tribunal), com sua fachada neo-renascentista. O edifício está localizado na área que era antes ocupada pela igreja e o mosteiro dos monges beneditinos de
Santo Stefano (874) e, mais tarde incorporada pela
Chiesa di San Lorenzo, suprimida em 1809 por vontade de
Napoleão Bonaparte. Todos os objectos pertencentes a essa igreja foram vendidos a um particular com a obrigação, no entanto, de ser preservada a tumba de
Antenor (um lendário herói troiano que, segundo
Virgílio, fundara
Padova em 1184 a.C.), que estava naquele tempo encostado a um muro.

Após a demolição da igreja, o túmulo esteve em diferentes zonas de
Padova, até voltar novamente a esta praça, onde se pode admirar hoje. No entanto a bela lenda das origens de Pádua foi posta em causa por testes recentes a um fragmento ósseo, que demonstraram que este pertencia a um guerreiro, provavelmente alemão ou húngaro, que viveu entre o terceiro e quarto século d.C., um período que exclui para sempre a lenda do príncipe de
Tróia.
Fonte: http://www.padovanet.it / Wikipédia.org / http://www.capriuli.it
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