Páscoa ao relento

“Todos os animais têm direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.”
(in Artigo 2º, Declaração Universal dos Direitos dos Animais)


De sexta-feira santa para sábado dormimos na tranquila vila de São João da Pesqueira, considerada o Coração do Alto Douro Vinhateiro.
 
A noite estava escura e sem estrelas, mas no lugar de pernoita, junto de um varandim a ver as serranias em lugar um pouco abaixo do nível da estrada, pastava um rebanho de ovelhas, que nos embalaram durante a primeira parte da noite, com a leve melodia do tilintar dos seus guizos.

Já em hora tardia essa melodia deixou de se ouvir, significando que as ovelhas já estavam deitadas na pastagem. Abri a janela e vi na obscuridade os pequenos pontos brancos salpicando o lugar. Uma brisa fria fazia-se sentir e pensei... O que fizeram estes animais fofos, meigos, obedientes, tranquilos e tão úteis, para merecerem uma noite ao relento? Não sendo esta sua situação suficiente, uma chuva persistente começou a cair e as infelizes ovelhas ali continuaram espalhadas um pouco por todo o terreno, aguentando a noite molhada e gélida, sem um telheiro para se recolherem.

Onde estava o pastor que cuida delas e não dorme nunca? Não deveria de ser ele e a música da sua flauta que as deveria acompanhar? Não, nos dias de hoje é o carro que dorme sob telheiro e nem em época pascal as ovelhas e seus cordeiros têm o direito ao respeito, que devia merecer a companhia, o leite e a própria pele e carne que nos dão.

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