O
centro da cidade de Amarante está aliado
a uma beleza natural sem igual que se une na perfeição com um amplo património
histórico, fazendo desta cidade uma caixinha de surpresas, pronta a despertar
os nossos cinco sentidos.
Amarante
é por tudo isto um lugar perdido no tempo que guarda em cada pedaço da cidade
muito da nossa essência como povo. A descoberta desta cidade é assim a descoberta
da nossa ancestral cultura. Tradições que achávamos perdidas são ali
reencontradas e de novo apaixonamo-nos por uma cultura que são as raízes de
todos nós.
Contemporânea
da formação de Portugal e com íntima ligação às gentes e famílias que
protagonizaram a fundação da nossa Nacionalidade, Amarante é também um testemunho do papel relevante que este
território outrora desempenhou na história da nobreza e das ordens religiosas
em Portugal.
Antes de
deixarmos a cidade, queríamos comprar e provar alguns dos seus famosos doces
amarantinos. A história de Amarante
é indissociável da história da doçaria conventual do nosso país. Estas
iguarias, com origem no Convento de
Santa Clara, o mais antigo da cidade hoje em ruinas, são uma das
referências locais, onde a oferta é bastante variada.
Para os
encontrarmos bastou entrar no Café S.
Gonçalo, onde tínhamos estado sentados na esplanada a observar o vai e vem
das gentes, na Praça da Republica.
Lá dentro os doces tradicionais esperavam-nos,
sendo os mais emblemáticos os papos de
anjo, as lérias, os bolos de S. Gonçalo, os foguetes e as brisas do Tâmega. De todos eles os mais interessantes pela história
associada são os bolos de S. Gonçalo,
mais conhecidos na região por “Ferramentas
de S. Gonçalo”, por terem a forma de um falo.
São Gonçalo é o santo protetor das “velhas” e as preces a este santo, acredita-se,
que curam os problemas de fertilidade masculina. Segundo reza a lenda, este santo teria
casado em segredo alguns habitantes de uma aldeia chamada “Ovelha”, que a Igreja não queria casar por já viverem maritalmente há
algum tempo. Entre estes encontravam-se novos e velhos, e assim o povo passou a
dizer que São Gonçalo era o "casamenteiro dos de Ovelha".
Este dizer popular foi ao longo do tempo sendo abreviado ou transformado, dando
"casamenteiro das Velhas".
Das questões sentimentais a ele associadas rapidamente o povo passou para as questões
de ordem sexual. Assim para as festas e romarias de Amarante começaram a ser feitos bolos em forma de falo, com a mesma massa
das cavacas das Caldas da Rainha, que os noivos ofereciam às
noivas.
E foi assim que o santo
homem vê uma parte da sua fisiologia que de pouco lhe teria servido,
transformada em bolo brejeiro através do carinho do povo: as Ferramentas de São Gonçalo, doces de
massa de farinha e açúcar, com ou sem recheio, semelhantes às galhofas e às
cavacas. Diz-se ainda que este bolo seria uma homenagem ao papel conciliador
das desavenças matrimoniais, feito pelo beato. Quem o come são sobretudo as
mulheres, em geral como oferta amorosa do companheiro.
Esteve este doce proibido
por indecente durante o Estado Novo, embora se tenha sempre portado como bolo
da “resistência”, sendo confecionado na clandestinidade e vendido à socapa. Ainda
hoje, nas barracas e nas pastelarias mais tradicionais de Amarante, podem encontrar-se estes bolos fálicos.
Fonte: http://myguide.iol.pt/
http://www.rotadoromanico.com/ http://cozinhaeliteratura.blogspot.pt/ http://conversasamesa.blogs.sapo.pt/
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