Abade de Baçal (1865-1947)

Nascido na aldeia de Baçal, no concelho de Bragança, cursou preparatórios no Liceu e teologia no Seminário de Bragança, sendo ordenado sacerdote em 13 de Junho de 1889 e desde então, até a sua morte, tornou-se pároco da sua aldeia natal.
Nunca paroquiou outra freguesia, vivendo uma vida entregue aos cuidados dos paroquianos, à sua lavoura e à investigação arqueológica e histórica, para a qual teve um singularíssimo instinto, sem necessidade de estudos científicos prévios.
Dedicou por isso a sua vida a recolher testemunhos arqueológicos, etnológicos e históricos respeitantes à região de Trás-os-Montes e, especialmente ao distrito de Bragança. Autodidacta erudito, independente, modesto e sóbrio, os críticos apontam-lhe, contudo, a sua falta de sistematização e poder interpretativo.
Embora absorvido na arqueologia, não descurou os interesses da Igreja, participando nas polémicas que perturbaram a diocese no princípio do século XX, em defesa do seu bispo.
A sua obra principal são as “Memórias Arqueológicas-Históricas do distrito de Bragança” (1909-1947), em onze volumes, fonte incontornável para o estudo da vida, história e valores do nordeste transmontano.
Em 1925 foi nomeado director-conservador do Museu Regional de Bragança, que desde 1935 é designado por Museu do Abade de Baçal, em sua homenagem.
A cidade de Bragança comemorou condignamente o seu centenário em 1965.
Fonte: montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.com
3º Dia - 2ª etapa (Parte III) - Passeio pelo Parque Natural de Montesinho - Visita a Rio de Onor
Quando olhamos os caminhos, estes parecem querer levar-nos ao firmamento, mas não, eles estão ali para nos levar aos cantos e recantos dos campos cultivados de Rihonor de Arriba ou de Castilla, o lado espanhol da aldeia de Rio de Onor.
Do outro lado do rio, Rio de Onor é o ar puro, o canto dos pássaros, o ruído das águas e as paisagens de encantar…
O verde cerca-nos de todos os lados, as casas confundem-se na paisagem devido à cor do xisto. Algumas parecem abandonadas, outras recuperadas como deve ser, onde as tradições e materiais foram mantidos. São toscas estas construções mas ao mesmo tempo belas diante da sua simplicidade arquitectónica, onde invariavelmente o xisto é utilizado nas paredes e a lousa nos telhados.
Nestas casas de arquitectura genuína, a loja no rés-do-chão, estava destinada aos animais e no andar de cima alojavam-se os proprietários. Assim mantinham a casa aquecida no Inverno, já que o calor imanado pelos animais aquecia também os seus donos. As portas baixas e janelas minúsculas ajudavam na tarefa, pois as reduzidas dimensões dessas aberturas não deixavam escapar o calor que advinha dos animais.
Junto às casas as vassouras de junco! Sempre adorei estas vassouras, antigas, ancestrais vassouras de galhos, de matos, de bruxa... Como lhes queiramos chamar. E elas ali estavam, quase em todas as portas das lindas casas de Rio de Onor.
Em passeio por Rio de Onor é permitido vislumbrar as fainas campestres, o deambular de bois por caminhos, a silhueta do cavador e os gestos integrais de dedos trabalhadores e rostos maduros e soberbos, colocando em nosso olhar imagens absolutamente subtis e quase etéreas!
Nos campos de cultivo, as hortas predominam. As vinhas em latada, marginam os campos de cultivo e as árvores e arbustos encontram-se por lá, um pouco por todo o lado. Não podemos dizer que se erguem, de tão baixas, ao alcance da mão de qualquer criança. Não podemos dizer que se escondem, de tão abertas de pernadas. Não podemos dizer que se recolhem, porque os quintais não tem sebe. E os campos ali estão, para serem partilhados e cultivados por todos...
A vegetação cerca-nos de todos os lados. Está à mão do nosso olhar, para que possamos enfrentar as imagens verdes do folhedo. Verdes, de um verde tenro e húmido, estão à mão da nossa mão, para que as toquemos.
Os excertos fotográficos que ali são captados, evidenciam a variedade de paisagens ao longo do curso do rio de Onor pela aldeia, e que proporciona ora, o conhecimento da natureza agreste e "bravia" do rio, ora, o contacto íntimo com o ambiente calmo e tranquilo das suas águas "mansas". É assim possível, experimentar sensações desencadeadas pelo ambiente aprazível e pela beleza natural destes lugares ímpares.