Mértola - Visita à Vila - 2º Dia - Parte III


 

A bela Mértola é uma terra de remota origem e esteve desde sempre ligada à via fluvial que lhe assegurava as comunicações na região em que se encontra.

Mértola tem várias almas que ali a todo o tempo ressuscitam. A Myrtilis Iulia romana, a Mirtolah árabe e a Mértola portuguesa, que debruçada sobre o rio Guadiana, foi outrora um importante entreposto comercial fenício, depois cartaginês, romano e árabe, devido à facilidade de navegação rio acima, a partir da sua foz. Aqui andaram portanto, muitos navegantes de terras longínquas que por aqui andaram fazendo trocas de produtos e trazendo notícias e influências de outros mundos.

Com a chegada dos romanos, a povoação foi batizada de Myrtilis Iulia e por lá passava uma importante via romana que a ligava Pax Julia (a antiga Beja) a Baesuris (Castro Marim), e que dali derivava para Balsa (Tavira) e Ossónoba (Faro), com várias ligações ao resto da Lusitânia.

Assim a sua situação num ponto-chave de antigas comunicações terrestres ou fluviais com o sul da Península e como baluarte de defesa dessas vias, conferiu-lhe uma enorme importância ao longo dos séculos.
O ano de 712 assinala o aparecimento dos árabes. É o começo de um longo período de prosperidade para a Mirtolah muçulmana, que chega a ser capital de um reino Taifa, tal como Silves e Faro. Resultado do desmembramento do califado de Córdova, as diversas taifas da península contribuíam para o desenvolvimento cultural e artístico dos respetivos territórios.

Em 1238, a vila foi reconquistada aos mouros por D. Sancho II que no ano seguinte a entregou à Ordem de Santiago, vindo esta a proceder à sua fortificação.

Depois do Souk bem visto e revisto, era tempo da visita à vila de Mértola. Mas foi neste final de visita ao Souk, quando distraidamente olhava as bugigangas dos mercadores, que me perdi da família. Ainda esperei em vão à saída do mercado árabe, e como pareciam ter-se evaporado, e por minha conta resolvi explorar a vila.

A vila de Mértola hoje no Alentejo profundo, e com as suas várias raízes históricas, tem muito que ver. A sua implantação na encosta de uma elevação leva-a a estender-se desde as águas da margem direita do Guadiana até ao alto da colina onde se ergue o Castelo.

Começando por baixo, junto da margem esquerda do Guadiana vê-se o antigo Caís acostável romano, provavelmente à época fortificado, que juntamente com as inúmeras moedas romanas cunhadas na antiga Myrtilis Iulia, encontradas um pouco por todo o lado na vila, são os testemunhos da sua antiga importância.

No início da subida em anfiteatro a caminho do castelo, um pouco abaixo do início das ruas ocupadas pelo Souk, observa-se a Torre do Relógio. É provável que a Torre do Relógio tenha sido erguida em finais do séc. XVI ou inícios do séc. XVII, no contexto da reorganização da zona urbana da Praça do Município. Esta edificação foi erguida na proximidade de um conjunto de construções representativas do poder político, administrativo, judicial e económico e reaproveitando um antigo torreão da muralha, passou a marcar o limite da Praça do Município e a assumir-se como um dos elementos emblemáticos de Mértola. Em 1896 o relógio primitivo foi substituído por outro mais recente que vai continuar a marca o tempo da Vila Velha até aos nossos dias.

Antes da porta islâmica da entrada para o Souk, vê-se do lado esquerdo em lugar mais alto que o nível da estrada, o pequeno mas harmonioso Mercado de Mértola. Lá dentro vendem os produtos da região: As laranjas, as tangerinas, os limões, os queijos, o mel, as ervas aromáticas frescas e secas para os chás e as flores…
 
 
Fontes: http://pt.wikipedia.org/; http://www.luardameianoite.pt/serpa/serpa14.html; http://www.rotas.xl.pt/1204/500.shtml

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