Gerês - De Caldas do Gerês à Pedra Bela - 4º Dia - Parte I




No último dia do final de semana no Gerês e antes de partirmos a caminho de casa, tínhamos planeado um último percurso pela Serra do Gerês. Este último percurso é no seu todo um misto constante de beleza e aventura.

Partimos então do Parque de Campismo do Vidoeiro, deixando para trás o ativo e fresco rio Gerês, a caminho das Caldas do Gerês, e logo à frente à esquerda, encontrámos o cruzamento que nos levaria por estrada estreita, ingreme e sinuosa, até ao alto da serra.

Pelo caminho que se faz devagar, mas com andamento suficiente para vencer a inclinação, subimos a encosta sul da montanha sobranceira ao desfiladeiro das termas. Pelo caminho a floresta abraça a estreita estrada alcatroada, e aqui e ali os riachos brotam impetuosos em cascatas que descem a caminho do vale.

A meio caminho pára-se para provar a água límpida que sai por uma bica, na Fonte do Curral do Gaio. Novamente a caminho do alto da serra, segue-se por estrada que por vezes afunila, fazendo temer a passagem por outros veículos que circulem em sentido contrário, uma vez que por vezes não possui qualquer resguardo, nem escaparates.

Chegados ao cume da montanha, são 830 metros que se atingem e a vegetação luxuriante que nos acompanhou durante todo o caminho não se aligeira, pois a arborização contínua densa, mas a estrada alarga, fazendo com que se respire de alívio e com um prazer redobrado porque ali se nota um ar mais puro, embora mais rarefeito. Ali dominam as coníferas das mais variedas espécies.

Seguimos então para a direita, quando uma tabuleta nos indica a direção do Miradouro da Pedra Bela. Paramos a autocaravana e seguimos a pé por um caminho em terra batida, em direção ao antigo miradouro. Encontra-se em primeiro lugar uma bonita construção em granito, com uma torre de vigia e que corresponde à antiga casa do guarda-florestal, hoje em estado de abandono, e à sua volta vê-se um grande aglomerado de penedos graníticos. Subimos por eles acima e ali empoleirados observamos as magníficas vistas em direção oeste, que impressionam. Como uma verdadeira vista aérea, observa-se primeiro a densa floresta de pinheiros e coníferas com exemplares de grande porte, misturados com outras espécies arbóreas como o carvalho, o azereiro e o medronheiro, entre outras… Lá em baixo o casario, que se estende pelas vertentes mais baixas do vale estreito, percorrido pelo rio Gerês.
 
Depois caminha-se em sentido contrário, mais alguns metros por estrada alcatroada, que nos separam do miradouro novo da Pedra Bela. Os visitantes são em maior número, pois dali se desfruta de um panorama de beleza arrebatadora. É um dos mais belos miradouros de Portugal, que fica situado a uma altitude de 834 m, onde a vista tudo abarca…

É ali que encontramos uma lápide em bronze, com o poema "Pátria" de Miguel Torga, que segundo alguns conhecedores da sua vida e obra, afirmam que foi escrito ali, na Pedra Bela.
 
A Pedra Bela desde sempre encantou quem por ali passa, dizendo os antigos que foi a mão divina que aqui a colocou, como que uma peça num presépio, perfeita e imponente. Este é um dos locais mais famosos do Gerês, e uma vez avistando a paisagem, percebe-se instintivamente o porquê. Montanhas, a Albufeira da Caniçada, os rios que serpenteiam a serra, a confluência do rio Cávado com o rio Caldo, a vegetação própria daquela serra, ou a estonteante Portela do Homem!…
 
Sobe-se um pouco mais, por uma escadaria em pedra que nos leva até ao miradouro com corrimões de ferro galvanizado. Como águias que pairam nas alturas, observamos lá em baixo as Caldas do Gerês com o seu casario confinado pelo desfiladeiro das termas. Para Este estende-se a Albufeira da Caniçada formando o grande lago que se espraia até à Barragem do Rio Caldo.  Ao longe, mas bem distintas as elegantes e brancas pontes do rio Caldo mostram que a partir dali é a serra que se impõe. À volta das águas da albufeira, os altos picos da Serra do Gerês emolduram a paisagem, fazendo realçar a beleza magnificente do conjunto.

É especialmente ali que  se impõe recordar mais uma vez Miguel Torga, um filho daquelas terras. "Gosto de rever certas paisagens, ainda mais do que reler certos livros. São belas como eles e nunca envelhecem. O tempo não degrada a linguagem que as exprime. Pelo contrário. Enriquece-a, até, num esforço de perfeição constante que, embora involuntário, parece intencional. (...) E eu olho, olho, e não me canso de admirar uma placidez assim permanentemente movimentada (...)." (Gerês, 3 de agosto de 1959, Diário VIII).
 
Fonte: http://fragasepragas.blogspot.com/ http://www.serra-do-geres.com/ http://www.guiadacidade.pt/ http://www.igogo.pt/ http://www.serra-do-geres.com/
 

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