Sintra - 3º Dia - Quinta da Regaleira - Jardins - Parte III

A partir da Torre da Regaleira podem ser tomados três caminhos. Se optarmos por virar à direita vamos ter às antigas, cocheiras, cavalariças e vacaria, por onde se sai ao exterior da quinta, pelo Portão das Cocheiras. Se escolhermos ir em frente, iremos ter à Oficina das Artes (núcleo que outrora era destinado às dependências dos funcionários, onde existia a garagem e a casa do gerador, que produzia a eletricidade para toda a propriedade), estando hoje destinada a exposições, workshops, projeção de curtas-metragens ou conversas temáticas de tertúlia…
Por trás da Oficina das Artes encontra-se a Inceneradora, que tal como o nome indica era o lugar destinado à queima do lixo.
Da Torre da Regaleira, virámos à esquerda e subindo um pouco deparasse-nos do lado direito o Lago da Cascata, um lugar mágico, onde grutas, pontes e um lago que tudo liga e que nos surpreende a cada momento, quando perscrutamos os seus recantos.
Pelos recantos deste lago, continuamos a subir, contornando a gigantesca Cisterna, onde é armazenada toda a água para regar o sumptuoso jardim, assim como alimentar as fontes. No topo encontramos os Terraços Celestes, em frente do Portal dos Guardiães, uma estrutura cénica rematada por dois torreões laterais e por um mirante central, que nos oferece magníficas vistas s obre o Palácio e os jardins em redor.


O Portal dos Guardiães é um espaço amplo, uma espécie de terraço, que proporcionou a Carvalho Monteiro a criação de um teatro na sua própria propriedade. Segundo consta, havia um espaço destinado à plateia, criando um anfiteatro, com uma acústica adequada.



Sob o Portal dos Guardiães está dissimulada uma das entradas onde começa o circuito que conduz até ao Poço Iniciático. Este portal consiste assim, num túnel que leva a meio do Poço Iniciático, que está guardado por dois tritões. Surgem novamente aqui as referências à mitologia uma vez que, na Divina Comédia, Cérbero aparece como guardião da entrada no Inferno. Neste Portal, o  Poço Iniciático inferior, à semelhança da obra clássica, possui guardiões a proteger esta entrada.

À nossa volta observa-se que este magnífico jardim é constituído por inúmeras árvores exóticas e vegetação abundante integrada de forma harmoniosa com a vegetação autóctone, que nos vai acompanhando de forma exuberante, compondo o curioso percurso de características marcadamente cenográficas e que nos dá a ideia de uma real viagem de cariz iniciático, isto é, a passagem de uma a outra dimensão.
Esta iniciação opera-se em “cerimónias” de iniciação, por meio de encenações e rituais de carácter mágico, nos quais o neófito (principiante), recebe o segredo da transmutação, aceitando a filiação no grupo de companheiros, para aceder a um nível espiritual superior.

Sobe-se agora com mais dificuldade, uma vez que a caminhada se torna mais ingreme, e lá em cima parece que todos os caminhos nos conduzem a um aglomerado de pedras erguidas, com a aparência de um menir, situado num dos locais mais belos da mata. Uma porta de pedra  bem disfarçada de qualquer olhar menos atento, está no meio de um amontoado de outras pedras, como que perdido entre a vegetação. Rejubilamos... É a entrada para o Poço Iniciático...
A entrada é feita por uma curiosa porta de pedra giratória, que  passa facilmente despercebida e que roda impulsionada por um qualquer mecanismo oculto, facultndo-nos a entrada para "outro mundo". Esta é a entrada superior do Poço Iniciático, e é ali, precisamente, mais do que em qualquer outro local dos jardins da Quinta da Regaleira, que ganham vida os ideais dos mestres maçónicos e as demandas em nome da fé, levadas a cabo pelos cavaleiros templários.

Depois de breve descanso após a subida, entra-se no surpreendente Poço Iniciático. Trata-se de uma galeria subterrânea em espiral, de 27 metros, por onde descem nove patamares até às “profundezas da terra”. No Poço Iniciático pode optar-se por se descer ou subir, dependendo do percurso iniciático escolhido.
Os nove patamares lembram os nove círculos do Inferno, as nove secções do Purgatório e os nove céus do Paraíso, segundo a “Divina Comédia” de Dante Alighieri. A principal ideia por detrás deste poço, é a de morrer e voltar a nascer num rito de iniciação ligado à terra, uma vez que esta representa o útero materno de onde provem a vida, mas também a sepultura para onde se voltará, quando a vida se apagar.
Fonte: Panfleto com o plano-guia da Quinta da Regaleira / http://www.historiadeportugal.info/ http://atracoessintra.no.sapo.pt/ http://www.lifecooler.com/

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