Lisboa - 3º Dia - Igreja do Mosteiro dos Jerónimos - Parte V

Antes de entrarmos no Mosteiro dos Jerónimos deve parar-se para observar, com atenção, toda a sua fachada, que nem sempre teve o mesmo aspeto. No séc. XIX o edifício sofreu algumas modificações que, embora não tenham alterado a sua estrutura primitiva, vieram dar-lhe a forma que hoje conhecemos.
Caminha-se para o Portal Principal, situado a meio da fachada sul, voltado para o Tejo, que embora de dimensões mais pequenas e menos majestoso que o Portal Sul, é o mais importante Portal dos Jerónimos, quer pela sua localização, frente ao Altar-Mor, quer pela sua decoração.
Este é o belo pórtico de João de Castilho, estruturado ao modo de monumental relicário de ourivesaria, sobrepujado pela estátua da Virgem de Belém e o Arcanjo S. Miguel, e decorado com esculturas dos Apóstolos, Profetas, Doutores da Igreja, Sibilas e anjos.

Ali podemos realçar nos nichos do topo, “Cenas do Nascimento de Jesus Cristo”, observando-se da esquerda para a direita: a Anunciação (o anjo anuncia a Maria que vai ser mãe de Jesus); a Natividade (nascimento de Jesus); a Epifania (adoração dos Reis Magos). Mais abaixo encontram-se as estátuas do rei D. Manuel I e da rainha D. Maria, com os seus santos patronos, S. Jerónimo e S. João Baptista. Neste Portal trabalhou Nicolau de Chanterene que aqui introduziu alguns elementos característicos da Arte do Renascimento: os anjos vestidos à romana; os querubins (motivo decorativo composto por uma cabeça de criança com um par de asas); o pormenor e o realismo com que foram representadas as estátuas dos Reis e ainda o excelente estudo do “nu de S. Jerónimo”.
No registo inferior, ao centro do mainel que divide a porta, vemos uma estátua do Infante D. Henrique. O portal é ladeado por dois janelões de arco redondo.  

Entra-se de seguida em silêncio na Igreja, tendo-se logo a sensação de se entrar numa grande gruta. O teto possui uma abóbada polinervada que é composta por várias nervuras, que são as estruturas de pedra que têm origem nos respetivos cantos para se multiplicarem pelo teto. A juntar cada uma das nervuras, observa-se um elemento circular em pedra, com motivos que caracterizam o estilo manuelino, com a Cruz da Ordem militar de Cristo, a esfera armilar, cordas náuticas e motivos vegetalistas.
O interior é escuro e à medida que avançamos em direção à Capela-Mor, a zona mais escura da entrada vai dando lugar a zonas de maior luminosidade.

Faz-se uma primeira paragem no sub-coro. É ali que pode ser observada a primeira pintura  onde se encontra representado S. Jerónimo, como "O Penitente no Deserto", junto ao Túmulo de Vasco da Gama. Nessa bela pintura, o santo é apresentado magro, num local deserto, castigando-se, com uma pedra  na mão e meditando em frente de um crucifixo.
Nos respetivos túmulos estão representados alguns elementos decorativos referentes à vida e aos feitos destes dois personagens da História de Portugal.

Continua-se o caminho em direção à nave central. Observa-se à volta e repara-se que as colunas ali existentes são ricamente decoradas. A cobertura do teto é em forma de arco em abóbada. Todos os vitrais do mosteiro são já do séc. XX (1938). Os que cobrem os dois janelões da parede sul representam imagens dos reis fundadores, D. Manuel I e sua mulher, D. Maria, cada um deles com os respetivos santos patronos. D. Manuel, acompanhado por Vasco da Gama, antes da partida para a Índia e D. Maria rodeada das suas aias e de alguns monges jerónimos. Ao centro, podemos ver a imagem de Santa Maria de Belém ou Nossa Senhora dos Reis. A Virgem tem o Menino ao colo e em segundo plano, vê-se uma imagem de Lisboa antes do terramoto de 1755. Em baixo, observam-se as naus dos Descobrimentos.

Fonte:
http://www.strawberryworldlisbon.com/ http://www.mosteirojeronimos.pt/pt/index.php?s=white&pid=185 / Whttp://www.paroquia-smbelem.pt/smbelem_guiao_visita_jeronimos.htm

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