Ilusões


                            Desenho a lápis de carvão e cor de Lia Cardoso


Conhece-te e conhecerás o teu poder.
Será que isto passa pela consciência do funcionamento da nossa fisiologia? Há quem diga que o nosso corpo é a casa de Deus, e este não é mais de que o nosso poder, sempre à espera de que demos azo à sua expansão. Como? Pela acreditação nas nossas capacidades. Em linguagem católica chamar-se-ia de Fé. Posso afirmar que o Deus do século XXI está na nossa certeza que este se encontra em nós e não em lugar incerto, cercado de almofadas etéreas a presenciar cantos divinos, e se calhar com o calor que está, a beber uma caipirinha. Acredito que Deus não se rende às ilusões do prazer que os sentidos lhe oferecem. Não bebe a ilusória caipirinha. Quem costuma divertir-se a destruir a sua casa que ponha o dedo no ar! Ora o nosso corpo é o nosso Templo, muito mais de qualquer casa que nos protege os sentidos ingenuamente mimados. Deus é adequadamente sapiente disso. Somos aquilo que comemos. E como o Poder nos habita só o temos de despertar do seu sono, o Matrix.

Costuma-se dizer que os anjos não têm sexo, e para apimentar a coisa, Leonardo Da Vinci aquando da pintura da Última Ceia procurou um jovem de rosto saudável (belo portanto) sem marcas de castigos de fonte interna (o rancor e o ódio refletem-se na nossa fisionomia), como escolheu para retratar Judas. Portanto anjos são habitados de paz dada pelo uso da mente. Uma mente saudável é recheada de amor que se inclui num Templo igualmente resplandecente.

Milhares de pessoas se rendem ao cumprimento de um gelado que lhes diz Olá. O próprio nome da marca de gelados transporta-nos para o grandioso monopólio em que transformou a face da terra, longe daquilo que realmente importa, longe da nossa verdadeira missão - Lutar pela Vida. Rendemo-nos às ilusões como uns ratos que entram na ratoeira a fim de comer o queijo. Trabalhamos para as ilusões, a fim de as consumirmos, seja, vivemos para elas. E destruímo-nos. Destruímos a nossa conduta mais válida, e entramos num ciclo venoso, com Judas a dizer-nos Olá, num já informal cumprimento de tão integrado que está. Tal como nos pusemos de pé, a andar sobre dois membros, podemos também trabalhar os sentidos de forma a que estes sigam uma conduta traçada pela mente, num dialogo interno. Além de possuirmos capacidade de o fazer mais rapidamente - pois estamos providos de consciência e da força de um inconsciente que se rege pelas crenças desta - do que processo de nos erguer-mos em dois membros, estamos a retarda-lo cedendo conscientemente aos sentidos, alimentando-os. Não alimentando o corpo. Compra-se com dificuldade um sofisticado carro pensando que se alimenta o espírito, mas apenas se está a alimentar o instinto. Ilusão.

Lutar pela vida é lutar pelo triunfo do espírito, e suprimir tudo o que lhe seja prejudicial. Deus deu-nos a capacidade de reprodução, não é prova suficiente que tudo o resto foi-nos dado com o mesmo intuito? O de Criar. Fazer Vida. Lutar por esta? Comportemo-nos com Gratidão. O nosso destino é a Perfeição. A procura de Harmonia. E isto passa pela consciência de que os nossos sentidos apenas nos oferecem dados ilusórios. Este chão que piso não é castanho. Simplesmente vejo-o assim. A cadeira que me sento não é preta. Ilusões. Numa procura da Harmonia ficamos cercados de necessidade de praticar um respeito mútuo entre todos os seres criados. Sem vontades supérfluas. Não nos rendemos a irracionais prazeres gustativos que na maioria das vezes nos são prejudiciais. Mera Ilusão gustativa. Infelizmente chegamos a um ponto em que o ser humano nem se considera a si mesmo. Só o seu próprio prazer. Não vê que se autodestrói com muito mais vigor, e com uma inconsciência imperdoável, mais, mas muito mais do que ao próximo. Porque afinal a única desculpa que teria para consumir certas coisas, e desrespeitando o conterrâneo, era o da necessidade de sobreviver, mas há muito que está longe disso. Procure-se a razão no meio de tudo isto!

Somos muito menos do que o olho que vê a mão que toca, a boca que saboreia... Somos Energia! Será que isto é pouco ou muito?

E o mais importante: a Sabedoria nasce connosco, o Poder e Coragem nascem connosco, não se abastecem num posto da Galp.

Um respeitoso Abraço à espera de um apaixonado Brinde. Ergam-se os copos e faça-se o Clic!

 

Lia Cardoso, in ghettodacoabreca.blogspot.com/ (publicado em:  

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