Collonges-la-Rouge - 21º Dia - Parte V



Após a visita a Turenne, seguimos para Collonges-le-Rouge, a oeste, a apenas 10 quilómetros de distância, e que seria a última aldeia histórica francesa a visitar naquele dia, antes da chegada ao lugar de pernoita.

Collonges-le-Rouge fica situada numa planície silenciosa, entre montanhas e florestas de um verde luxuriante, mostrando-nos logo à chegada uma arquitetura diferente de todas as outras aldeias da região de Limousin. Ela é na realidade uma extraordinária visão medieval: vermelho e rosa.

A aldeia composta pelo seu magnífico casario cor de ocre, faz jus ao seu nome (le-Rouge), e fica situada numa zona de nível inferior, em relação à estrada. É uma vila de visita obrigatória, desde sempre… como evidencia, aliás, a linha de caminho-de-ferro que lá conduz e termina.

Esta Village, de aspeto e cor tão invulgares, mantém até hoje, um carácter essencialmente aristocrático, uma vez que reúne num pequeno espaço, vários palacetes de épocas passadas, que conservam até hoje a sua dignidade e magnificência. Os telhados com lajes de ardósia sobre as casas dos séculos XV e XVI, sobressaem no meio do verde intenso que cerca a village.

No meio da aldeia chama a nossa atenção a torre sineira da Église de Saint Pierre. No seu belo portal principal, está representa a Ascensão de Cristo no registo superior, enquanto a Virgem, humilde e orante, se encontra cercada pelos onze apóstolos, ocupando o registo inferior. Este é um maravilhoso trabalho de artistas de Limousin, nas escolas de Toulouse e Auvergne, e foi realizando em pedra calcária de Nazaré, perto Turenne.

Com todas as construções feitas de blocos de arenito vermelho maciço, a aldeia oferece-se como um lugar recôndito para apaixonados pelo pôr-do-sol, e foi precisamente perto dessa hora que lá chegámos.

Os campos que a cercam, marcam a paisagem em volta de Collonges-la-Rouge, e neles combinam-se nogueiras, vinhas, zimbros, carvalhos e castanheiros, mas também se veem campos de milho.

Em 785, as terras de Collonges, um nome derivado de Colonia Latina, foram doadas pelo Conde de Limoges para financiar parcialmente a construção do Mosteiro Charroux em Poitou.

Depois dos monges construírem o mosteiro, este começou a atrair camponeses, artesãos e comerciantes, que ali perto se começaram a estabelecer, prosperando e desenvolvendo uma povoação em torno das muralhas.

Também ali se fazia o acolhimento dos peregrinos que se dirigiam para Santiago de Compostela, passando a caminho de Rocamadour, que ainda hoje é um santuário de grande importância e peregrinação.

O grande número de peregrinos era uma fonte duradoura de lucro, e em 1308, o Visconde de Turenne concedeu à vila o direito de alta, média e baixa competência, permitindo governar-se a si própria, o que deu origem ao nascimento na cidade de linhagens de promotores, advogados e notários.

Após as guerras religiosas francesas, a sua posse passou para o Visconde de Turenne, recebendo isenções fiscais valiosos, liberdades, franquias, privilégios, imunidades, bem como o direito exercício da justiça, ficando independente da Coroa da França. Foi a partir deste momento que ali se fixam muitos membros da nobreza e daí também a construção de um grande número de impressionantes castelos e mansões.

O séc. XIX foi marcado pelo aparecimento da filoxera, que dizimou os vinhedos da região, dando origem ao êxodo rural que fez com que a village perdesse 40% da sua população.

Fonte: http://www.les-plus-beaux-villages-de-france.org/ http://www.collonges-la-rouge.fr/ http://voyages.fond-ecran-image.com/ wikipédia.org

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