Neste penúltimo episódio da série Cosmos, Carl Sagan dedica-o à possível vida extraterrestre, o grande
fascínio de sua vida, dizendo-nos que os relatos de encontros com
extraterrestres terão por certo mais a ver com religião e superstição, do que
com ciência.
Examina os relatos persistentes de
visitantes extraterrestres à Terra, que foram sendo registados desde 1947, e refuta
alguns dos mais famosos casos de abdução, em especial o de Betty e Barney Hill,
argumentando que não se encontram, entre todas as histórias de OVINS, alguma
prova física convincente.
Decifrar vestígios de um "outro
mundo" parece então ter um papel crucial para a investigação desses casos,
e isso leva Carl Sagan a contar a
história de Jean-François Champollion, que desde menino tinha uma especial
facilidade para os vários idiomas e entendimentos vários, e que mais tarde se
tornou um eminente linguista.
Diz-nos que Champollion estudou avidamente
a expedição de Napoleão ao Egipto, onde cada ilustração era uma charada do
passado para o presente, e entre elas estava a Pedra de Roseta e fotos do povo
que vivia entre as ruinas dos antigos faraós. A partir desse momento o Egipto
tornou-se a terra dos sonhos de Champollion e dedicou-se à descoberta e
descodificação da escrita egípcia.
Mas foi apenas em 1928 que Champollion foi
pela primeira vez ao Egipto. Então com os seus companheiros fretou barcos e
navegou rio acima, dando início à sua expedição e redescoberta da antiga
cultura egípcia.
Jean-François Champollion já tinha
descodificado os hieróglifos do antigo Egipto, quando empreendeu a sua viagem exploratória
ao Egipto, tendo-a descrito com minúcia, dando-nos a possibilidade através do
tempo de podermos conhecer os seus magníficos pormenores. Mas essa viagem ao
Egipto foi também para Champollion, uma expedição através do tempo e uma viagem
através dos séculos, para um outro mundo anterior.
Carl Sagan numa recriação da
decifração da Pedra da Rosetta, conduz-nos numa viagem ao Egipto, fazendo-nos
viajar no tempo e assistir à chagada ao cair da noite de Champollion a Dendera,
e à sua visita noturna ao complexo do
Templo de Dendera,
que contém o Templo de Hátor, um dos templos mais bem preservados de todo o Egipto. Foi ali que Jean
François Champollion verificou que a sua descodificação das mensagens
hieroglíficas deixadas por aquela antiga civilização estavam certas.
Ali em Dendera, Champollion teve a
oportunidade pela primeira vez de observar a grandiosidade daquela antiga
cultura, que com a sua sublime arquitetura e escrita hieroglífica, fizeram a
união de graça e majestade do mais alto grau.
Leva-nos depois até Carnac, onde Champollion
escreveu a seu irmão, dizendo que estava orgulhoso da sua decifração da Pedra
de Roseta. A decifração rápida, habilitou-o a evitar os erros sistemáticos que
surgem invariavelmente da reflexão prolongada. Do mesmo modo, também na busca e
especulação desenfreada pela inteligência extraterrestre, por parte de muitos
amadores nos dias de hoje, serviu para assustar muitos profissionais.
Mostra-nos então uma réplica da Pedra de
Roseta, dizendo-nos que ela possui o mesmo texto escrito em três línguas, sendo
a última delas o grego antigo. Champollion conhecia bem essa última escrita,
uma vez que era um linguista soberbo. Nela conseguiu verificar que esta pedra
tinha sido feita para comemorar a coroação e subida ao poder do faraó Ptolomeu
V, na primavera do ano 196 a.C..
Carl Sagan explica-nos depois
como Champollion, fez a comparação do grupo de hieróglifos que representam o
nome de Ptolomeu, e de Cleópatra, para descodificar facilmente este tipo de
antiga escrita.
No final, diz-nos que hoje, nós estamos
também à espera de descodificarmos uma linguagem de uma civilização, não no
tempo, mas no Espaço. Possivelmente os seres extraterrestres serão muito
diferentes de nós biologicamente, culturalmente e linguisticamente, então como
será possível entender as suas mensagens? Poderá haver uma “Pedra de Roseta”
cósmica? Carl Sagan responde que
deve haver a possibilidade de todos os seres se poderem comunicar entre si, com
uma linguagem comum, numa língua chamada Ciência.
Diz-nos então que as leis da Natureza são
as mesmas nos mais variados lugares, e as mesmas leis da mecânica quântica são
as mesmas em toda a parte. Então seres de outro mundo qualquer, terão que lidar
com leis idênticas da Natureza, mostrando-nos que no Cosmos, os padrões são os
mesmos que na Terra. Por isso, talvez em breve, possa chegar uma mensagem do
espaço ao nosso pequeno mundo, mas se quisermos entendê-la, teremos primeiro
que entender a Ciência.
Fala-nos de um método, fácil, barato, óbvio
e rápido de receber essas mensagens, dizendo-nos que esse método já existe, e
que se chama radioastronomia. Mostra-nos o maior radiotelescópio do mundo, o
Observatório de Arecibo, na Ilha de Porto Rico, que está apto a ser capaz de
receber mensagens rádio enviadas por civilizações estranhas de qualquer ponto
da Via Láctea. Será que algum ser extraterrestre está neste momento a olhar
para nós ou para o nosso Sol, a fazer alguma especulação corajosa?
Diz-nos em seguida, que poderá no Cosmos
haver muitas civilizações extraterrestres, e mesmo que muito distante, poderá uma
qualquer civilização estar bem próxima de nós. No entanto, se houver poucas
civilizações extraterrestres, a mais próxima, poderá estar bem longe de nós.
Mas quantas civilizações serão capazes de ter também radioastronomia na Galáxia
Via Láctea?
Explica-nos então a equação matemática que
nos dá a possibilidade de o descobrirmos, dizendo-nos que alguns cientistas
acham que o caminho dos trilobitas até aos radiotelescópios ou equivalentes, é
como um tiro em todos os planetas dos sistemas planetários, e que apenas 10%
dos planetas habitados terá a possibilidade de desenvolver uma civilização
técnica.
Retomando o estudo da vida extraterrestre, Carl Sagan demonstra a importância dos
radiotelescópios, em especial no caso da “Mensagem de Arecibo” e do programa
SETI.
Na nave
espacial da imaginação de Carl Sagan,
leva-nos pelo cosmos, e permite-nos uma rápida viagem através de um "computador
galáctico", leva-nos a pesquisar na “Enciclopédia Intergaláctica”, na
possibilidade de fazermos o repositório de dados de um mínimo de planetas de
outras estrelas… Se isto fosse possível, como seria bom!
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